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Educação

Governo de SP anuncia expansão do número de escolas de tempo integral

Promessa é ter 1.855 colégios estaduais com jornada estendida no ano que vem; evento em auditório reuniu mais de 900 professores e houve quebra de protocolos

12 jul 2021 13h46
| atualizado às 18h38
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Em um evento para quase mil pessoas, o governo de São Paulo anunciou nesta segunda-feira, 12, a expansão do número de escolas de tempo integral no Estado. Segundo o governo, serão 778 novas escolas a partir de 2022, totalizando 1.855 colégios com jornada estendida - um terço da rede. O anúncio da expansão das escolas de tempo integral foi realizado pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e pelo secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, em um auditório no Memorial da América Latina, na zona oeste de São Paulo.

O Programa Ensino Integral (PEI) foi lançado em 2012. Até agora, fazem parte do PEI 1.077 escolas, com 437 mil estudantes do ensino fundamental e ensino médio. Com a nova expansão, o aumento será de 72% no número de escolas que farão parte do programa. A expectativa é de que 387,3 mil novos alunos de ensino fundamental e médio estudem em uma escola de tempo integral, totalizando 834 mil.

O número de municípios com PEI passará de 309 para 427. A lista dos colégios que se transformarão em escolas de tempo integral não havia sido divulgada até as 18 horas.

O Plano Nacional de Educação (PNE) prevê que 50% das escolas públicas sejam de tempo integral no Brasil até 2024. Esse porcentual chegará a um terço das 5,6 mil escolas da rede estadual paulista. Já em relação às matrículas, a meta do PNE é chegar a 25% em escolas de tempo integral em 2024 - índice que pode ser atingido por São Paulo no ano que vem.

O anúncio de expansão do número de escolas foi realizado simultaneamente para a imprensa e para profissionais da rede. O evento reuniu dezenas de diretores e dirigentes. Para a plateia, Doria disse se tratar de "um sonho". "É uma vitória de grande importância. Tempo integral para o aconchego, estudo, ensino, alimentação, formação", afirmou.

Evento reuniu dezenas de diretores na manhã desta segunda-feira, 12 de julho
Evento reuniu dezenas de diretores na manhã desta segunda-feira, 12 de julho
Foto: Reprodução/Governo SP / Estadão

O modelo é visto como uma estratégia para alavancar os indicadores de desempenho dos estudantes no Estado. Nas escolas de tempo integral, os alunos têm jornada de até 9 horas, com atividades complementares como preparação acadêmica e orientação de estudo. "Quando aumento o tempo na escola, aumento as possibilidades para o aluno", afirmou Rossieli.

Pesquisas já evidenciaram a relação entre as escolas de tempo integral e melhorias nos indicadores de aprendizagem no Brasil. No ano passado, um levantamento do Instituto Natura e do Instituto Sonho Grande mostrou que as escolas que eram parciais em 2017 e migraram para o modelo integral em 2019 tiveram uma melhora de 17,3% no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Das escolas estaduais de São Paulo, as 33 melhores colocadas no ranking são PEIs, de acordo com o governo.

O PEI, no entanto, enfrenta críticas de parte dos professores. Apesar de receberem gratificação nas escolas de tempo integral, que corresponde a 75% do salário, os profissionais têm de atuar em uma única escola com 40 horas semanais de trabalho, o que os impede de trabalhar em outro colégio, da rede privada ou municipal, para complementar a renda.

Pesquisa da Rede Escola Pública e Universidade (Repu), divulgada em maio deste ano, também mostrou que há redução do número de matrículas nas escolas PEI, na comparação com o período em que não faziam parte do programa. "Parte importante das vagas extintas se concentra no período noturno, em especial na Educação de Jovens e Adultos", indica o relatório.

Segundo o levantamento, o modelo de aumento de escolas de tempo integral tende a levar estudantes trabalhadores e aqueles que não quiserem estudar em tempo integral para escolas cada vez mais longe de suas casas, dificultando a permanência e aumentando a evasão. A Repu é formada por professores e pesquisadores de universidades públicas do Estado de São Paulo.

Quebra de protocolos

Assim que houve o anúncio de expansão do ensino integral, no fim de manhã desta segunda, os educadores que ocupavam espaços demarcados na plateia do auditório se levantaram e se aproximaram, quebrando os protocolos de distanciamento social para evitar a disseminação do coronavírus. O distanciamento previsto entre as poltronas era de um metro. O auditório, com capacidade para 1.760 pessoas, recebeu 921, segundo o governo.

A Secretaria Estadual da Educação informou que ocorreu a testagem no local do evento. O teste realizado, no entanto, foi do tipo sorológico rápido, que não é o recomendado para detectar a infecção ativa. Segundo a Seduc, foram feitos, até o momento, cerca de 700 testes. "Os profissionais da educação presentes estão em sua maioria vacinados com as duas doses e todos com, pelo menos, a primeira dose."

Estadão
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