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Crônica: dúvidas, angústias e certezas de um candidato do Enem

24 out 2011 - 19h57
(atualizado em 24/10/2011 às 20h25)
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Pedro Faustini
Direto de Porto Alegre

Treze horas, horário de Brasília. Pais saem com os carros, imprensa entrevista aqueles que não conseguiram entrar, fotógrafos congelam o que acontece. Tudo isso deixa de fazer parte daquilo que era realidade até o instante passado. O exterior para de existir quando o mundo se resume as cerca de 15 folhas de um caderno manchado de tinta. Pensando assim é mais fácil relaxar. Milhões de pessoas compartilham sonhos diferentes, mas com o mesmo objetivo: obter um resultado no mínimo suficiente. Alguns conseguirão o que pretendem logo após preencherem com a caneta pequenos círculos correspondentes às primeiras cinco letras do alfabeto. Outros terão que esperar mais um pouco. Independente da confiança que reside no peito, é sempre hora de tentar.

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Ao entrar na sala, surpresa. Os cartões-respostas já estão devidamente distribuídos nas mesas, feitas de madeira, bem como os assentos. Ao todo, há 30 na sala. O teto, sem ventilador, conta apenas com lâmpadas fluorescentes. Apesar de ser dia, algumas estão acesas. A fiscal orienta cada um a se sentar onde está o cartão com seu nome. Dados conferidos, assinatura preenchida, é esperar para receber a prova. Antes, as instruções.

Não colar, claro. Deixar o local apenas após um determinado tempo decorrido e outro para sair com o caderno de perguntas na mão. Os três últimos deixam o recinto juntos. Com o candidato, apenas caneta, documento de identidade e lanche. O resto deve ser colocado em um saquinho de plástico, identificado com nome, CPF e telefone. Eventual perda dos pertences não é de responsabilidade da organização do exame.

Nem todas as mesas contam com um candidato. Sim, algumas pessoas faltaram. Por quê? Impossível determinar. Seus nomes? Fácil. Provavelmente o primeiro seja igual ao seu. Não importa. A esta altura, tudo o que ocupa o cérebro são as indagações que o teste fará. E, por curiosidade, a cor. Chega o caderno. Cor branca. Hora de baixar a cabeça e começar a maratona. Dessa vez não vai dar nada errado. Os problemas dos outros anos que deixaram milhões aflitos não vão acontecer de novo. Não vão, não podem...

Passa um tempo. Quanto? Boa pergunta - ainda bem que pelo menos essa não está na prova. Os olhos miram o quadro à frente. Ao lado das instruções, a marcação com as horas restantes elucida a dúvida. Cada instante é um momento a menos. Não há o que perder. Será que alguém já foi embora? É preciso dar uma olhada ao redor. Os fiscais pensarão se tratar de uma tentativa de cola? Afinal, é só uma espiadinha, para saber do ambiente, que todos invariavelmente dão. Não vai acontecer em nada. Mesmo? Passos. Fiscal se aproxima. O barulho dos sapatos percorre toda a sala e para na última fila. Um frio passa a barriga. Era só para saber quantos ainda estavam presentes. Por sorte, nada de ruim acontece. Alarme falso.

O silêncio é interrompido. "Vende-se batatas, vende-se batatas", grita alguém na rua. Neste momento, as coisas perdem sentido. Quem será? Por quê? Segundos depois, cai a ficha: existe um mundo lá fora, com comerciantes dando duro para ganhar a vida.

Feita a prova, hora de preencher o gabarito. Muita calma nesta hora, mesmo com tempo apertando o pescoço. Uma passagem errada do caderno para a folha de respostas pode comprometer todo um sonho. Cuidadosamente os círculos são preenchidos com a tinta preta de uma das várias canetas Bic levadas ao colégio. Hora de entregar ao fiscal e esperar pelo resultado sair.

Para alguns, o Enem 2011 representa o primeiro passo rumo à concretização de um sonho. A esses, parabéns. Àqueles que por ventura não consigam o almejado, devem manter a cabeça erguida e ter em mente que para tudo na vida há uma hora. Quem pegou o caderno branco já sabe: "cada coisa tem seu tempo a seu tempo".

Pedro Faustini trabalha no Terra e fez as provas do Enem neste fim de semana, em Porto Alegre (RS).

Fonte: Terra
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