PUBLICIDADE

4 segredos dos corretores da redação do Enem

O Inep pode até fornecer a Cartilha do Participante para ajudar os candidatos a se prepararem, mas algumas regras só os corretores sabem

3 nov 2022 - 17h19
(atualizado em 4/11/2022 às 13h33)
Compartilhar
Exibir comentários
Foto: SOPA Images/Getty Images / Guia do Estudante

 

Já contamos em um outro texto por aqui que a correção da redação do Enem é muito mais complexa e criteriosa do que se imagina. Os corretores passam por um longo processo de formação e recebem diversas orientações para que todos os candidatos tenham uma revisão justa de seu texto e, principalmente, uma correção igualitária.

Isso significa que o Inep precisa prever uma série de situações e erros com antecedência, para que todos os professores que participam da correção saibam como agir caso esbarrem com um deles, tomando a mesma atitude.

Essas situações vão desde o sinal gráfico usado para fazer a separação silábica no fim de uma linha até o uso da palavra "através de" ao invés de "por meio".

Neste texto, separamos alguns segredos dos corretores de redação do Enem que podem até não estar na Cartilha do Participante, mas contam, e muito, na hora da correção.

Confira:

1. O corretor tira pontos se você separar sílabas incorretamente

Translineação é quando você separa as sílabas de uma palavra, deixando parte dela numa linha e parte na linha de baixo. 

Como você faz isso?

Observe um caso extraído do Manual dos Corretores do Enem:

-
-
Foto: Manual dos corretores da redação do Enem/Inep / Guia do Estudante

Neste caso, o candidato cometeu um flagrante desvio: separou ao meio a sílaba "tram". A separação silábica correta dessa palavra seria "en-con-tram". Além disso, ele utilizou um sinal de sublinha ao invés de um hífen para fazer a separação - o que, segundo o Manual dos Corretores, é até aceitável, mas não é o mais recomendado. 

Portanto, atenção à separação silábica para não perder pontos na competência 1!

2. O corretor tira pontos se você esquecer a vírgula em alguns casos

Veja esta frase:

"As informações que seguimos têm um algoritmo, na maioria das vezes ."

Agora veja esta:

"As informações que seguimos têm, na maioria das vezes , um algoritmo."

Nós mudamos a posição do adjunto adverbial " na maioria das vezes".

O segredo que corretores não contam - mas os professores de Língua Portuguesa, sim - é que adjunto adverbial no meio da frase precisa vir entre vírgulas . Quase sempre.

O corretor não vai tirar pontos seus se o adjunto adverbial tiver uma ou duas palavras somente e não vier entre vírgulas - este é um desvio também "aceitável". Mas se tiver mais palavras do que isso, por favor, lembre-se das vírgulas!

3. O corretor não liga para um certo tipo de repetição

É sério! E você aí perdendo tempo substituindo palavras por sinônimos.

Acabou o segredo do corretor do Enem: eles nunca contam quantas vezes uma palavra foi repetida. Jamais. 

A história é a seguinte: os corretores analisam se foi importante repetir a tal palavra, porque sabem que repetição é fun-da-men-tal para coesão. 

Por exemplo, se notarem que a palavra repetida é exatamente o tema central, ou palavras da própria frase-tema da redação, a repetição é aceita , sem problemas

Agora, se a repetição for aquela sem necessidade, que passa batida porque o candidato tem preguiça de reler, então o corretor pode tirar uns pontinhos do candidato, sem dó.

4. O corretor deixa você usar "através de" como quiser

Você pode até ter aprendido na escola que "através de" só pode ser usado quando se atravessa algum elemento físico de um lado para o outro. Ou seja, que ele não serve como um sinônimo de "por meio de", que expressa modo, e por isso não poderia ser usado na proposta de intervenção

Para a norma culta da Língua Portuguesa, está correto.

Mas os corretores do Enem são bonzinhos em relação a isso: não tiram ponto nenhum se você usar "através de" para o seu elemento "meio/modo"! 

Você pode escrever como nesta frase:

"... para que esses filtros da internet sejam extintos através de um investimento pesado do Governo…"

Este caso faz parte de uma lista de "exceções", mesmo que polêmicas, que o Inep resolveu assumir, como esclarece no Manual dos Corretores.

Guia do Estudante
Compartilhar
Publicidade
Publicidade