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Educação

Cenário promissor para a tecnologia

Em praticamente todas as carreiras, é preciso se adaptar a novos recursos. Demanda por profissionais qualificados é crescente no Brasil

22 jun 2021 05h10
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Não há mais quem duvide: o mundo se tornou uma aldeia global digital e os especialistas e gurus do mercado de trabalho são unânimes em considerar a revolução tecnológica, em praticamente todas as profissões e carreiras, como um caminho sem volta.

No entanto, há ainda uma pedra no meio desse caminho rumo ao futuro: a enorme discrepância entre a procura e a oferta de profissionais no mercado brasileiro. Uma projeção, apresentada em março deste ano pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscon), prevê a necessidade de novos 70 mil profissionais por ano até 2024, número bem superior aos 46 mil profissionais com perfil tecnológico que são formados por ano atualmente no Brasil.

Estratégia

O cenário é promissor e, por isso, os cursos de curta duração em tecnologia são apostas de instituições de ensino para acelerar o preparo dos profissionais. Nessa seara, um dos temas que ganha cada vez mais relevância é o funcionamento dos algoritmos.

No universo da tecnologia, o termo trata de regras e procedimentos que são executados conforme uma sequência específica para a solução de um problema. É como uma receita, em que há um passo a passo para alcançar um objetivo.

Além de compreender os aspectos técnicos que envolvem os algoritmos, os profissionais precisam também compreender preferências, interesses e até fatores ideológicos embutidos nas linhas de código que compõem os algoritmos.

"O debate tem de ser expandido, não olhar só para a regulação e o desenvolvimento tecnológico puro e simples. A tecnologia tanto influencia o comportamento humano como é influenciada pelas pessoas, em um ciclo no qual cria mais formas de nos influenciar", comenta Priscilla Silva.

Ela é mentora do curso Algoritmos e Emoções: Cruzamentos entre Psicologia, Economia e Comunicação, desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS). A formação foi criada em parceria com o laboratório MediaLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O programa propõe discutir a relação das pessoas com a produção de dados, de forma a mostrar aos estudantes como o comportamento humano é afetado pelas novas tecnologias.

Entre os temas debatidos estão os modos de capitalização das plataformas digitais e a produção de conhecimento com base em mecanismos automatizados; estudos de serviços e dispositivos tecnológicos que prometem entender como nos sentimos por meio de expressões faciais e da voz; e técnicas persuasivas de captura da atenção e engajamento utilizadas por plataformas.

Concorrência

O curso também aborda uma das principais polêmicas atuais do mundo digital: os monopólios. Os alunos são instigados a refletir sobre os problemas da concentração de poder dos gigantes do Vale do Silício, região na Califórnia, nos Estados Unidos, onde estão localizadas as principais empresas de tecnologia do mundo.

"O Google é a maior referência em buscadores, o Facebook é a principal rede de relacionamentos, que comprou outras como o Instagram e o WhatsApp. Não seria melhor se houvesse uma concorrência leal para melhorar a diversidade de informações que recebemos e as formas de consumo?", indaga Priscilla.

Prestes a iniciar a próxima turma do curso, Caio Cesar de Oliveira espera ampliar seus conhecimentos sobre os bastidores dos algoritmos. Ele atua com Direito Digital desde 2013, quando concluiu a graduação em Direito. Trabalha em um escritório especializado na proteção de dados pessoais e constantemente procura cursos que tratem sobre como as tecnologias influenciam a sociedade.

"Em geral, não enxergamos como as plataformas afetam nossas emoções. Aprender isso me motiva. É importante entender como os algoritmos são feitos, a base técnica que envolve programação, mas também a forma que afetam nossas vidas e influenciam, mesmo de forma silenciosa, nossas tomadas de decisões."

Estadão
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