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'Six seven': o meme que saiu da internet e virou desafio em salas de aula

Expressão viral entre adolescentes provoca risadas, interrupções e novas estratégias de professores para lidar com o fenômeno

15 abr 2026 - 07h47
(atualizado às 07h57)
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"Toda vez que fazem six seven, vocês perdem aura". A professora de inglês Giovanna Oliveira, que leciona em São Paulo, descobriu como fazer a aula avançar sem que os alunos percam tempo demais com memes. Os memes já fazem parte do cotidiano escolar há anos, mas poucos alcançaram um nível de repetição e insistência como o "six seven".

A brincadeira, que consiste em reagir de forma exagerada à sequência dos números 6 e 7, invadiu salas de aula nos Estados Unidos e rapidamente chegou ao Brasil, transformando momentos comuns do cotidiano em explosões de risos.

Em muitas turmas, basta mencionar um dos números para que alunos interrompam a aula com gritos de "six seven" ou "seis sete", acompanhados de um gesto com as mãos que imita uma gangorra. Se pesquisar o termo no Google, a própria tela se movimenta.

A origem do meme não é clara. Classificado como "brain rot" -- um tipo de humor que não precisa fazer sentido --, ele pode estar ligado à música Doot Doot, do rapper Skrilla, ou até à altura do jogador de basquete LaMelo Ball, que mede 6 pés e 7 polegadas. O que se sabe é que um vídeo de um jovem americano gritando a expressão ajudou a impulsionar a tendência.

Meme ganhou popularidade nas escolas do Brasil
Meme ganhou popularidade nas escolas do Brasil
Foto: sweetlouise/Pixabay

Giovanna relata que muitos estudantes nem sabem explicar o motivo da graça, principalmente os mais novos, e a repetição chega a atrapalhar as aulas. Para lidar com a situação, ela criou um sistema próprio de controle, inspirado no próprio vocabulário dos alunos.

"Então, uma medida que tomei foi fazer um medidor de 'aura' em todas as salas em que dou aula. [...] Todas às vezes que eles falam 6, 7, eles perdem aura."

A estratégia tenta equilibrar disciplina e engajamento. "E eu fiz um combinado, que se a turma chegar a uma determinada pontuação, eles podem fazer o 6, 7."

O professor Onésimo Ferraz, coordenador do projeto bilíngue do Colégio Fractal, em Goiânia, percebeu o fenômeno ainda no ano passado, durante aulas de inglês.

"Esse meme apareceu com força total. Os meninos começaram a fazer menções a ele. Percebi que toda vez que o número 67 aparecia, quando eu ia contar, por exemplo, eu começava a contar com eles, 'one, two, three, four, five, six, seven'... Quando chegava no 'five', eles já começavam com um brilho nos olhos, já ficavam elétricos. E quando eu falava 'six, seven', eles faziam aquele movimento das mãos, que é característico, gritavam e tal".

A reação, segundo ele, se repete em diferentes contextos da aula. "Eles reagem enlouquecendo, gritando, rindo muito, é bem descontraído."

Em vez de tentar conter o comportamento, Onésimo optou por incorporá-lo à dinâmica da turma. "Eu me juntei a eles. Para mim, a filosofia é, não tem como vencer isso daí, você tem que se juntar a eles."

A estratégia, segundo ele, acabou ampliando o alcance da brincadeira dentro da escola. "Com isso, alunos de outras turmas descobriram que eu estava fazendo isso, e agora onde vou passando na escola, os meninos fazem o six seven."

Para a doutora em linguística aplicada Luciana Pinheiro, diretora da Winsfor Education, o fenômeno não chega a ser uma preocupação pedagógica relevante, mas exige manejo em sala.

"Atrapalha um pouco, pouca coisa. Eles riem e o que os professores fazem? Eles esperam geralmente a gurizada se acalmar, a rir, e depois tocam e seguem com isso."

Luciana também aponta que manifestações como essa ajudam a entender os alunos. "Isso faz parte da construção de identidade, do sentimento de pertencimento e da maneira como os adolescentes se relacionam com o mundo ao seu redor."

"Eles se encontraram nesse meme. Então, vamos respeitar esse momento deles. Daqui a pouco eles cansam e isso passa."

Fonte: Portal Terra
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