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Jovem presa durante entrevista de emprego é solta no RJ: 'Traumatizada’

Lívia Ramos foi solta na noite de quarta-feira, 21. Segundo o processo, não há provas que determinem o envolvimento dela com o crime

22 jun 2023 - 11h58
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Lívia foi presa durante entrevista de emprego
Lívia foi presa durante entrevista de emprego
Foto: Reprodução/Twitter

A jovem de 19 anos, presa durante uma entrevista de emprego no Rio de Janeiro, foi solta na noite de quarta-feira, 21, após determinação da Justiça. Lívia Ramos de Souza foi liberada da prisão por volta das 20h. Fogos e celebrações marcaram a chegada dela em casa, quando foi recebida por amigos e familiares.  

Ao Terra, Cristiane Ramos contou que chegou às 9h e só saiu depois das 18h, quando recebeu a informação de que a soltura dela só aconteceria na manhã desta quinta-feira, 22. Após já ter voltado para a sua residência, recebeu uma chamada de Lívia, avisando que tinha sido liberada e estava do lado de fora da penitenciária. 

"Saiu de uma forma muito humilhante. Só tinham saído 16 jovens, porque falaram que o sistema estava lento. Quando eu vi era o rosto da minha filha desesperada, né? Chorando, dizendo: 'mãe, pelo amor de Deus, vem buscar. Soltaram eu e as meninas agora. Mãe, eu estou do lado de fora do presídio, aí achamos uma barraquinha aqui aberta, pedimos o moço pra ligar'. Eu fui desesperada para lá, e com muita revolta", explica. 

O alívio de voltar para a casa não apaga o que Lívia viveu nos últimos dias dentro da cadeia, e os momentos angustiantes que a família passou enquanto tentava a liberdade para a jovem. A mãe afirma que ela está traumatizada e passará por ajuda psicológica para se recuperar do episódio. 

"Ela virou um bebê, dormiu do meu lado. Aí eu acordava a noite, passava a mão para ver se ela estava bem. Estava aquele sono de anjo porque sabia que estava na caminha dela. No quartinho dela, mas está meio debilitada, traumatizada também, contando as coisas que aconteceram lá dentro. Isso mexe com ela", afirma. 

Para Cristiane, os dias que antecederam a soltura da filha foram angustiantes. "Olha, não desejo para ninguém, porque dessa eu tive uma luta muito grande. [A acusação] me pesou muito. A gente vê injustiça pela televisão, mas quando cai na nossa pele, dentro da nossa família, é angustiante", declara. 

Não há provas

De acordo com o advogado da jovem, Alex Silva Gomes, o processo foi irregular desde o começo, pois o delegado responsável pelo caso apontou o crime de organização criminosa, indiciando todos os 18 jovens que estavam no local, mas sem provas. 

"Ela tinha quatro horas de trabalho. Chegou e começou a aprender o serviço, foi almoçar, e quando voltou, foi presa. [...] Além de ter prendido ela, ele tipificou a conduta como organização criminosa. O desembargador viu que havia irregularidades na prisão. No curso do processo, ocorreram falhas. O desembargador foi bem humano e mandou soltar os 18 jovens presos", explica o advogado. 

Conforme explica, o processo foi encaminhado inicialmente para a 21ª Vara Criminal do Rio, mas depois, foi redistribuído para a 1ª Vara Criminal Especializada da Comarca da Capital.

Na análise do juiz, não existem "elementos concretos que evidenciem uma situação de organização criminosa, em que se exige a existência de uma estrutura hierarquicamente ordenada com nítida divisão de tarefas entre seus integrantes", e também não se vê "a prática do crime de 'lavagem' ou ocultação de bens", conforme a o processo. 

Agora, o processo retorna a 21ª Vara Criminal do Rio, onde será feita a investigação da empresa, para saber se existe o crime de estelionato, propaganda enganosa e falsidade ideológica. 

Relembre o caso

Lívia foi presa junto de mais 17 jovens, quando a polícia entrou no local para realizar uma operação contra golpes de consórcio de veículos, no centro da capital fluminense.

Ao todo, 14 pessoas tiveram a prisão preventiva convertida em medidas cautelares, como comparecimento periódico em juízo, proibição de contato com outros investigados, além de proibição de se ausentar da Comarca.

Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, a operação foi motivada pela denúncia de diversas vítimas. Durante diligência no escritório onde os golpes eram aplicados. Em nota ao Terra, a polícia explica que o grupo foi conduzido para delegacia e optou por só se manifestar em juízo. Então o caso foi enviado à Justiça que, em audiência de custódia, manteve as prisões.

Também houve apreensão de computadores, aparelhos de telefone celular, documentos – incluindo contratos em nome das vítimas –, e um roteiro utilizado para a prática do estelionato.

A reportagem tentou contato com a Icon Investimentos, mas não obteve retorno até a última atualização desta matéria. O espaço continua aberto para manifestações. O Terra também tentou contato com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária para saber sobre a demora da liberação da jovem, mas não teve retorno.

Fonte: Redação Terra
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