Brasil tem menor nº de alunos em ensino médio da década, mas cresce na educação integral
Dados do Censo Escolar do MEC, divulgados nesta quinta, indicam que a queda teve forte influência do Estado de São Paulo
O número de alunos no ensino médio no País caiu de 2024 para 2025 em 5,3% e registrou a menor quantidade de matrículas em uma década. A queda foi puxada pelas escolas públicas; a rede privada cresceu 0,6% no mesmo período. O retrato faz parte do Censo Escolar, divulgado nesta quinta-feira, 26, pelo Ministério da Educação (MEC).
Há uma forte influência do Estado de São Paulo na diminuição de matrículas. Dos 425 mil alunos a menos no ensino médio público brasileiro, 259 mil são de escolas paulistas, o que representa 60%. Mesmo sendo o Estado mais populoso, São Paulo tem o equivalente a 20% do número de estudantes dessa etapa do Brasil.
O ensino médio, que tem 7,3 milhões de alunos, é considerado um dos maiores desafios da educação básica brasileira, principalmente por causa da evasão. Os dados de 2024 mostravam que só 82,8% dos jovens de 15 a 17 anos estavam matriculados em escolas.
Entre os 20% mais pobres, eram 72%, segundo o anuário do Todos pela Educação. Adolescentes vulneráveis deixam a escola por desinteresse pelos estudos, gravidez, necessidade ou opção pelo trabalho.
Programas como o Pé de Meia, lançado pelo governo federal em 2024 e que oferece uma bolsa para estudantes do ensino médio para que eles permaneçam na escola, tentam combater o abandono. A política, que tem custo de R$ 12 bilhões, é umas das principais apostas do governo Lula na educação e ainda não tem resultados claros.
Os dados do Censo foram divulgados embargados para a imprensa, com antecedência, e só nesta quinta-feira às 10h o ministro da educação, Camilo Santana, vai comentá-los.
Não há explicação ainda, portanto, para a queda nos números. As informações sobre evasão em 2025 também não estão disponíveis ainda.
Os dados de matrículas são informados ao MEC pelas secretarias dos Estados e podem sofrer influência de mudanças de políticas regionais ou de questões de cadastro. Há divergências também na forma de contabilizar jovens que têm uma frequência baixa, mas não abandonaram totalmente a escola.
Nos últimos anos, o Brasil vem enfrentando ainda uma queda no número de jovens, com a pirâmide etária ficando menor na base, onde está a população de 0 a 19 anos.
Segundo o Censo Escolar, o País tem hoje 46.018.380 estudantes em toda a educação básica, eram 47 milhões em 2024, uma redução de 1 milhão de alunos. Do total de crianças e adolescentes na escola, 9 milhões estão na rede privada e o restante na rede pública.
Escola em tempo integral
Por outro lado, o número de alunos estudando em tempo integral vem crescendo desde 2020 e aumentou 11% entre entre 2024 e 2025 na rede pública. Em 2020 eram 4,7 milhões de alunos e atualmente são 8,8 milhões, o que representa 19% do total.
A ampliação da educação integral é outra política prioritária do MEC, desde o início da gestão. O ministério começou a repassar recursos para que os Estados e municípios ampliassem as matrículas na modalidade, com o objetivo de ter 3,6 milhões de alunos a mais até 2026 em tempo integral.
Como os altos investimentos no Pé de Meia, secretários da educação passaram a reclamar que os recursos diminuíram este ano e as ampliações de matrículas em tempo integral só poderão ocorrer com dinheiro próprio