BA: alunos protestam por falta de estrutura em cursos técnicos
Alunos do Centro Territorial de Educação Profissional do Recôncavo (Cetep), em Santo Antônio de Jesus, a 185 km de Salvador, fizeram uma manifestação nesta quinta-feira. Os estudantes caminharam do centro da cidade até a sede do Cetep para denunciar falta de material didático, visitas técnicas, professores qualificados e estrutura mínima para as aulas dos cursos técnicos da instituição.
"Tem professor de história ensinando inglês. No curso de enfermagem o aluno tem que ter o seu aferidor de pressão arterial se quiser aprender a usá-lo porque lá não tem", disse a estudante Susi Tielis. O Cetep está em atividade há quase três anos e oferece os cursos profissionalizantes de técnico em segurança do trabalho, enfermagem, agropecuária e gestão logística, mas os estudantes alegam que nunca participaram de visitas técnicas ou estágios, além disso, não há equipamentos suficientes para as aulas práticas. São ao topo 1,3 mil alunos.
"Quando acontece alguma aula prática temos que pagar a passagem de deslocamento e alimentação. Temos um prédio enorme, mas inativo. Um é o Núcleo de Aulas Práticas, mas que não é usado, e o outro funciona o Cetep com aulas técnicas. Estamos no terceiro ano e nunca fizemos estágio", lamentou a estudante Juliana Lima. Segundo os alunos, eles mesmos conseguiram seus estágios, mas que não foram reconhecidos pela direção da instituição.
O estudante Ícaro de Almeida Bittencourt conta que está no terceiro ano do curso de segurança do trabalho, mas a falta de equipamentos retarda a conclusão do curso. "Precisamos medir os riscos ambientais, mas não existe o aparelho medidor necessário. Nem livro técnico, que é caro, não tem", ressaltou.
O diretor do Cetep, professor Ivanilton Amparo, considera legítimas as reivindicações dos alunos. "Existem algumas carências que já estão sendo sanadas pela secretaria da Educação. Reconhecemos a falta de alguns livros didáticos até porque a compra é através de licitação e a cidade não tem livraria que venda esses livros. Isso dificulta. O laboratório está funcionando com alguns equipamentos. A estrutura do prédio está sendo adaptada aos poucos", salientou.
O diretor da Direc V, que representa a secretaria estadual, professor Clóvis Ezequiel, se reuniu com uma comissão de alunos, que apresentou algumas reivindicações. "Reconhecemos o movimento estudantil e daremos encaminhamento das reivindicações à secretaria de Educação do Estado. Já contratamos uns seis professores para o Cetep e até coordenador de estágio, mas vamos nos reunir na próxima quarta-feira, com os estudantes outra vez. Há questões internas que teremos que resolver com a direção do Cetep. A escola tem autonomia e recebe recursos pode fazer licitação para aquisição de materiais", disse o professor.