'Presidente deve seguir protocolo no Enem', diz diretora

Diretora de Gestão e Planejamento do Inep nos últimos dois anos, Eunice Santos diz que não há risco de vazamento da prova

24 jan 2019
19h58
atualizado às 20h09
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"Se o presidente da República quer ver a prova, ele tem essa prerrogativa e não há nenhum risco de vazamento, desde que seguido o protocolo de segurança", diz Eunice Santos, que foi diretora da área responsável pela segurança do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nas últimas duas edições. Desde que o presidente Jair Bolsonaro afirmou que em 2019 leria a prova antes de ser aplicada, há grande preocupação de que a interferência possa colocar em risco o sigilo do exame.

Até mesmo o presidente coloca em xeque a segurança da prova. Na quarta-feira, 23, ele afirmou que alguém do PT poderia vazar a prova. O Estado ouviu a preocupação de Bolsonaro enquanto ele tomava café da manhã em Davos.

Eunice Santos afirmou que não há risco de vazamento da prova
Eunice Santos afirmou que não há risco de vazamento da prova
Foto: José Cruz / Agência Brasil

Eunice, que ocupava a chefia da Direção de Gestão e Planejamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) até o último dia 14, diz que o presidente e todos os estudantes podem se tranquilizar sobre o sigilo da prova se conhecerem como funciona os procedimentos de segurança. "Quando ele [Bolsonaro] tomar conhecimento da seriedade do trabalho do Inep e do nosso protocolo de segurança, vai se tranquilizar quanto a isso", diz.

A realização da prova é cercada de cuidados técnicos e de segurança, para este último há, inclusive, o apoio de outros órgãos como o Exército e a Polícia Federal. Para evitar riscos de vazamento, poucas pessoas da área técnica do Inep têm acesso a todo o conteúdo do exame. Nos últimos anos, os ministros da Educação e presidentes da República não tiveram acesso à prova.

Segundo Eunice, todas as questões que podem ser usadas na prova ficam guardadas em um "ambiente seguro" no prédio do Inep, em Brasília, uma espécie de sala cofre. É nessa sala que uma pequena comissão de técnicos de cada área define quais questões que integram o Banco Nacional de Itens farão parte da prova daquele ano. Ou seja, nenhum deles tem acesso à íntegra do exame.

Todos que entram nessa sala precisam assinar um termo de compromisso de segurança, em que alegam não ter parentes de 1º ou 2º grau que farão a prova naquela edição e se comprometem a não divulgar ou comentar com ninguém sobre as questões ou qualquer conteúdo relacionado ao exame. Além disso, são revistados e não podem entrar com nenhum equipamento eletrônico no local. Segundo Eunice, se o presidente se comprometer a seguir todo esse protocolo, não há risco de vazamento.

"Ele é o presidente da República, ele comanda o Poder Executivo do País. Cabe a ele dar as diretrizes e, se ele que ver a prova, pode ver. O que ele não é pode é vazar nenhum item da prova. Mesmo sendo o presidente, deve passar por todo o protocolo de segurança para ter acesso", diz.

Segundo Eunice, nos últimos anos, apenas Maria Inês Fini, ex-presidente do Inep, viu a prova quando estava pronta. Ela seguiu o protocolo. O ex-ministro Mendonça Filho quis conhecer a sala segura para entender como funcionava a segurança do Enem, mas não a prova. Ele também teve que seguir ao protocolo.

A prova é finalizada entre os meses de maio e junho e depois segue para uma gráfica para ser multiplicada - na última edição 5,5 milhões de pessoas se inscrevem para o Enem. Esse é o momento da prova considerado mais crítico, foi exatamente nessa etapa em que houve o vazamento em 2009.

Atualmente, apenas parte da equipe da gráfica têm acesso à prova em ambientes restritos, que são monitorados por sistemas de câmeras. Todos que entram nesses ambientes também seguem o mesmo protocolo de segurança. Segundo Eunice, em 2016, a Polícia Federal identificou um comportamento suspeito de dois funcionários no ambiente seguro da gráfica e eles foram afastados.

"Ao longo dos anos, fomos aprimorando o procedimento de segurança e ele pode e deve continuar sendo melhorado. Mas garanto que, se seguido os protocolos atuais, não há porquê questionar o sigilo da prova", afirma Eunice.

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Estadão

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