Alunos e professores que divergem de reitor da UFPB são intimados pela PF
Eles afirmam que estão sofrendo perseguição por se posicionarem contra a gestão do reitor Valdiney Veloso Gouveia
Alunos, professores e servidores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) foram intimados pela Polícia Federal (PF) a depor sobre falas ditas dentro da instituição de ensino. Eles são acusados de crime contra a honra e ameaça ao reitor Valdiney Veloso Gouveia.
Segundo reportagem da coluna da Mônica Bergamo, no jornal Folha de S. Paulo na segunda-feira, 14, eles afirmam que estão sofrendo perseguição por se posicionarem contra a gestão.
"É um estado de repressão e perseguição a qualquer pessoa que se coloque contra essa reitoria", diz a aluna de psicologia Odara Alves Moraes, que responde a três inquéritos na PF e um processo administrativo dentro da universidade.
Ainda conforme a reportagem, a servidora Lena Leite Dias e três professores também foram intimados após chamarem o reitor de "interventor" e criticarem a gestão.
Por meio das redes sociais, o Sindicato dos Docentes da UFPB manifestou solidariedade a Odara e Lena e disse que a UFPB vive um "momento crítico, com a utilização do aparato de Estado para perseguição daqueles que não se conformam com a usurpação do poder e o solapamento da vivência democrática".
Em nota ao jornal, a Procuradoria Federal junto à UFPB afirmou que só atendeu solicitação da instituição de ensino e encaminhou o relato das agressões à PF. Além disso, informou que "não comentará opiniões de estudantes e servidores".
Valdiney Veloso Gouveia assumiu o cargo de reitor no fim de 2020. Ele é chamado de "interventor" por parte da comunidade acadêmica por ter sido indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), mesmo sendo o último colocado da lista de nomes enviada ao governo na época.
Em 2021, entidades e coletivos da universidade também apresentaram um dossiê sobre problemas na gestão dele. Neste ano, uma possível destituição de Gouveia chegou a ser avaliada, mas a reunião terminou sem uma conclusão.
O Terra solicitou mais informações sobre o caso para a PF e busca contato com a UFPB. O espaço segue aberto para manifestações.