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A proporção de brasileiros com diploma universitário ainda é baixa?

Estudos mostram que, na maioria dos casos, a evasão é motivada pela falta de conexão percebida entre o curso e maior empregabilidade e renda trajetória futura

26 fev 2025 - 11h57
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Segundo dados recém-divulgados do Censo, a proporção de brasileiros de mais de 25 anos com diploma universitário atingiu 18,4% em 2022. Essa parcela ainda é menos da metade daquela dos países da Organização para Cooperação Desenvolvimento Econômico (OCDE) - onde 40% da população de 25 a 64 anos conclui o ensino terciário.

Ainda há muito espaço para aumentar a proporção de brasileiros que concluem a universidade, e isso é especialmente verdade entre a população historicamente excluída dela. Segundo dados do Censo, se a proporção de amarelos com ensino superior em 2022 era de 44,1% (maior que a média dos países desenvolvidos!) e aquela entre os brancos, 25,8% (mais próxima daquela dos Estados Unidos), entre os pretos e pardos essa cifra ainda era bem mais baixa - em torno de 12%.

As causas da baixa penetração do diploma universitário, em particular entre essas 'maiorias minorizadas', são multifatoriais. Estudo recente mostra que, entre 2007 e 2015, a proporção dos estudantes com a idade correta no 9º ano era de 78% entre meninas brancas de renda alta, mas de apenas 20% entre meninos pretos de renda baixa. Defasagem escolar é o maior preditor de abandono escolar subsequente. Ainda, mais da metade de quem ingressa no ensino superior não conclui o curso. Estudos mostram que, na maioria dos casos, a evasão é motivada pela falta de conexão percebida entre o curso universitário e maior empregabilidade e renda trajetória futura.

Candidatos realizam a primeira fase da Fuvest, em São Paulo; ainda há espaço para aumentar a proporção de brasileiros que concluem a universidade.
Candidatos realizam a primeira fase da Fuvest, em São Paulo; ainda há espaço para aumentar a proporção de brasileiros que concluem a universidade.
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Entender com profundidade e endereçar de forma efetiva as causas das trajetórias irregulares e da evasão entre os poucos que chegam à universidade são os ingredientes mais promissores para que nossos números se aproximem daqueles de países desenvolvidos; sobretudo porque a velocidade de crescimento das matrículas no ensino superior brasileiro desacelerou desde a pandemia.

Dito isto, se mesmo na OCDE a média de concluintes da universidade não ultrapassa os 40%, que caminhos o país oferece para os outros 60% da população?

Em países como Suíça, Alemanha, Itália e Espanha, só 10-20% da população para de se qualificar depois de concluir o Ensino Médio. Em diferentes pontos da trajetória profissional, jovens e adultos ingressam em cursos da Educação Profissional e Técnica (EPT), capazes de qualificar jovens e adultos para demandas reais, associadas a empregabilidade e renda.

Concluída a longa reforma curricular do Ensino Médio, o Brasil tem agora amplo espaço para expandir a EPT. É a chance de manter mais jovens na escola com uma formação mais aplicada e atraente, mas também de planejar como essa formação se conecta com oportunidades de seguir se qualificando após a conclusão dessa etapa.

Se conduzida com qualidade, a expansão da EPT pode ser uma das raras reformas educacionais capazes de reduzir as desigualdades históricas que seguem nos assolando em todos os níveis.

Estadão
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