Dormir oito horas é realmente suficiente? Especialista explica
Mais do que dormir oito horas, qualidade do sono depende de continuidade, profundidade e horários regulares; entenda
Por muito tempo, acreditou-se que dormir oito horas por noite era a regra de ouro para garantir disposição e bem-estar no dia seguinte. Mas será que essa é a única medida para um sono saudável? A resposta é não. De acordo com o otorrinolaringologista e especialista em Medicina do Sono, Dr. Paulo Reis, o tempo de sono é apenas um dos fatores que determinam sua qualidade — e não é igual para todo mundo.
"Cada pessoa tem uma necessidade individual de sono, assim como tem necessidades diferentes de calorias. Oito horas é uma média populacional, mas alguns precisam de mais e outros de menos. Adolescentes e gestantes, por exemplo, costumam demandar mais sono", explica o médico, que é coordenador científico do grupo Bonviv Brasil.
Quantidade não é sinônimo de qualidade
Dormir por longas horas não significa, necessariamente, que o descanso foi reparador. Um sono fragmentado ou superficial pode comprometer a sensação de disposição ao acordar. "A percepção de que dormir a noite inteira é sinônimo de um sono bom é equivocada. Doenças como apneia do sono, ronco e síndrome das pernas inquietas são exemplos de condições que deterioram a qualidade, mesmo quando a pessoa passa a noite na cama", alerta o especialista.
Para o sono ser considerado de qualidade, ele precisa atender a três pilares: continuidade (poucos despertares), profundidade (com proporção adequada de estágios do sono, do leve ao REM) e regularidade (manter horários consistentes para dormir e acordar). "A melhor forma de saber se o sono foi bom é acordar descansado, ter energia e concentração ao longo do dia sem precisar de estimulantes, e não apresentar sonolência nas atividades cotidianas", explica Dr. Paulo.
Hábitos que ajudam a dormir melhor
Além de manter um tempo de sono suficiente, é fundamental adotar práticas que favoreçam a regularidade. O especialista recomenda:
- Exposição à luz natural pela manhã e redução de luzes artificiais à noite.
- Evitar cafeína após o almoço e álcool próximo da hora de dormir.
- Praticar exercícios físicos regulares (mas não imediatamente antes de deitar).
- Criar um ritual relaxante para desacelerar no período noturno.
- Ambiente adequado: quarto escuro, silencioso e confortável.
Outro ponto importante é manter horários consistentes, inclusive aos finais de semana, com uma variação máxima de uma hora. "Hoje, eu incentivo muito o uso do despertador não só para acordar, mas para lembrar a hora de ir para a cama", diz Dr. Paulo.
E os cochilos, ajudam?
O cochilo diurno pode ser útil para compensar noites mal dormidas, mas com ressalvas. "Dormir durante o dia não substitui o sono noturno. Além disso, sestas longas, acima de 40 minutos, podem atrapalhar o descanso da noite seguinte", explica o especialista.
Sono e saúde: uma relação direta
Cuidar do sono não é apenas questão de disposição, mas de saúde. Um descanso adequado ajuda a prevenir doenças como hipertensão, diabetes e problemas emocionais. "Dormir a quantidade necessária, na hora certa e de forma regular é essencial para a saúde física, mental e emocional", conclui Dr. Paulo Reis.
* Fonte: Dr. Paulo Reis - Otorrinolaringologista, especialista em Medicina do Sono e coordenador científico do grupo Bonviv Brasil. Membro da Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS) e da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF). Instagram: @dr_pauloreis
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