Dia Mundial do Orgulho Autista destaca impacto de programas de aprendizagem profissional na inclusão de jovens
Iniciativas ajudam pessoas com TEA a conquistar o primeiro emprego e a desenvolver novas habilidades
Celebrado nesta quarta-feira (18), o Dia Mundial do Orgulho Autista é uma data que visa promover a conscientização, compreensão e aceitação do Transtorno do Espectro Autista (TEA) como uma forma legítima e diversa de ser e de interagir com o mundo. Além de combater o estigma ainda existente, a data reforça a mensagem de que a diversidade autista é uma parte valiosa da sociedade e que a inclusão é um compromisso coletivo.
O Brasil tem 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com o TEA, o que representa 1,2% da população, segundo dados do Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A prevalência é maior entre os homens (1,5%) do que entre as mulheres (0,9%). Trata-se de uma condição neurológica do desenvolvimento que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento, com manifestações muito variadas entre os indivíduos. Cada pessoa no espectro possui características, desafios e habilidades únicas, o que evidencia a importância de reconhecer e respeitar essa diversidade.
Nesse contexto, programas de aprendizagem profissional têm se mostrado fundamentais para promover a inclusão de jovens autistas no mundo do trabalho. A trajetória de Alison Reis Sonemann, de 20 anos, morador de Canoas (RS), é um exemplo inspirador dessa transformação social. Desde os 14 anos, Sonemann sonhava em conquistar seu primeiro emprego. Participou de diversas entrevistas, mas enfrentava dificuldades para ser contratado, mesmo após concluir o Ensino Médio em 2023.
Sua realidade começou a mudar no final do ano passado, quando ingressou no programa Partiu Futuro Reconstrução, uma iniciativa do Governo do Rio Grande do Sul em parceria com a Demà Aprendiz - tecnologia social da Renapsi (Rede Nacional de Aprendizagem, Promoção Social e Integração). Atualmente, Sonemann atua como jovem aprendiz na recepção do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), em Canoas. "Eu adoro trabalhar, atender o público e poder conversar com as pessoas. Esse projeto me trouxe felicidade e proporcionou meu crescimento pessoal e profissional", destaca.
Cleonice Reis Dorneles, mãe de Sonemann, relembra as dificuldades enfrentadas pela família até a chegada dessa oportunidade. "Ele buscou por anos uma vaga de trabalho, mas muitos recrutadores não acreditavam no potencial dele por ser diferente. O programa de aprendizagem transformou nossas vidas. Depois que começou a trabalhar, ficou mais responsável, mais maduro, melhorou a autonomia e aprendeu a lidar com o dinheiro", conta. Animado com o futuro, o jovem já faz planos economizando parte da bolsa-auxílio que recebe para fazer um curso de informática e, o restante, para realizar o sonho da casa própria.
Aline Ferreira, diretora executiva da Renapsi, destaca que iniciativas como essa são fundamentais para romper barreiras sociais e preconceitos ainda presentes no mercado de trabalho. "O Dia do Orgulho Autista é um convite à reflexão sobre o quanto a inclusão é capaz de transformar vidas. Quando criamos oportunidades concretas, como os programas de aprendizagem, ajudamos jovens como Sonemann a desenvolver seu potencial, sua autonomia e seu protagonismo. Não estamos apenas oferecendo uma vaga de trabalho. Estamos abrindo portas para o futuro e mostrando que cada pessoa, com suas singularidades, tem muito a contribuir para a sociedade", afirma.
Além de garantir renda e direitos trabalhistas, a aprendizagem profissional desenvolve habilidades práticas e teóricas, em um ambiente que fortalece seu desenvolvimento e a autoestima. Destinado a jovens de 14 a 22 anos em situação de vulnerabilidade social, matriculados ou egressos da rede pública e inscritos no CadÚnico, o Partiu Futuro proporciona formação profissional, bolsa-auxílio de R$ 828,26, vale-alimentação de R$ 550, além de benefícios como telemedicina, orientação jurídica, reforço escolar, seguro e acompanhamento psicológico.
Atualmente, a Demà Aprendiz capacita 750 jovens em Porto Alegre e Canoas. Os participantes têm carteira assinada e atuam em órgãos públicos municipais e estaduais, conciliando atividades práticas com aulas teóricas. Com mais de três décadas de atuação, a organização segue abrindo caminhos para que a juventude brasileira tenha acesso ao mundo do trabalho com dignidade, inclusão e propósito.