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Defesa de Lula diz que Dodge cometeu erro em parecer ao STF

Segundo advogados, habeas corpus foi enviado ao Supremo meses antes das reportagens do 'The Intercept' com os vazamentos da Lava Jato

21 jun 2019
21h44
atualizado às 21h57
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A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira, que a Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, cometeu um equívoco no parecer que enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o habeas corpus em favor do petista. Segundo os advogados Cristiano Zanin Martins e Valeska Martins, a ação protocolada que pede a anulação do processo do triplex, pelo qual Lula foi condenado, "não está amparado nas reportagens divulgadas pelo The Intercept".

Procuradora-geral Raquel Dodge
12/03/2019
REUTERS/Ueslei Marcelino
Procuradora-geral Raquel Dodge 12/03/2019 REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: Reuters

A nota lembra que o pedido de habeas corpus foi feito no dia 5 de novembro de 2018, antes do vazamento das conversas entre o ex-juiz Sergio Moro e o procurador da República Deltan Dallagnol, revelados neste mês pelo site de Glenn Greenwald.

"Habeas corpus, que começou a ser julgado pela Suprema Corte em 04/12/2018 - muito antes, portanto, das reportagens do “The Intercept” - mostra que o ex-juiz Sérgio Moro 'sempre revelou interesse na condução do processo e no seu desfecho' a partir de fatos concretos que estão descritos e comprovados naquele requerimento", diz o comunicado.

Os advogados relatam ainda que apenas fizeram um registro nos autos sobre o conteúdo das reportagens no dia 13 de junho deste ano.

A defesa termina afirmando que os fatos "são mais do que suficientes para evidenciar que o ex-Presidente Lula não teve direito e um julgamento justo, imparcial e independente".

Leia a nota completa da defesa de Lula:

PGR ERRA AO DIZER QUE HC DE LULA É BASEADO EM REPORTAGENS DO “THE INTERCEPT”

Ao contrário do que foi afirmado pela ilustre Procuradora Geral da República em manifestação protocolada nesta data (21/06) o Habeas Corpus nº 164.493 que impetramos em favor do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 05/11/2018 e que está na pauta da 2ª. Turma do STF do próximo dia 25 não está amparado nas reportagens divulgadas pelo “The Intercept”. 

Referido habeas corpus, que começou a ser julgado pela Suprema Corte em 04/12/2018 — muito antes, portanto, das reportagens do “The Intercept” — mostra que o ex-juiz Sérgio Moro “sempre revelou interesse na condução do processo e no seu desfecho” a partir de fatos concretos que estão descritos e comprovados naquele requerimento, tais como: (i) autorização para monitoramento do principal ramal do nosso escritório para que a Lava Jato pudesse acompanhar em tempo real a estratégia de defesa de Lula; (ii) imposição de condução coercitiva e diversas outras medidas excepcionais com o objetivo de rotular Lula como culpado antes do processo e do seu julgamento; (iii) atuação fora das suas atribuições legais para impedir o cumprimento da ordem de soltura emitida pelo Des. Federal Rogério Favreto; (iv) divulgação de atos processuais que estavam em sigilo com o objetivo de interferir nas eleições presidenciais de 2018; (v) aceitação do cargo de Ministro de Estado do atual Presidente da República que foi beneficiado pela condenação de Lula e, além de seu opositor político, já defendeu que o ex-Presidente deve “apodrecer na cadeia”.

Em 13/06/2019 fizemos apenas o registro nos autos daquele habeas corpus de que as reportagens publicadas pelo “The Intercept” a partir de 09/06/2019, cujo conteúdo é público e notório — e nessa condição independe de qualquer demonstração (CPC, art. 374, I. c.c. CPP, art. 3º) —, remetem à “conjuntura e minúcias das circunstâncias históricas em que ocorreram os fatos comprovados nestes autos e sublinhados desde a sustentação oral realizada pelo primeiro subscritor em 04/12/2018”.

Eventual investigação instaurada pela Exma. Sra. Procuradora Geral da República não possui qualquer relação com o Habeas Corpus nº 164.493 ou com o seu desfecho porque essa ação constitucional está amparada em graves fatos que antecederam as reportagens do “The Intercept” e que já são mais do que suficientes para evidenciar que o ex-Presidente Lula não teve direito e um julgamento justo, imparcial e independente — o que deve resultar na anulação de todo o processo contra ele instaurado, com o restabelecimento de sua liberdade plena.

Cristiano Zanin Martins

Valeska T. Z. Martins

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Fonte: Equipe portal
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