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Wajngarten admite que Planalto ignorou a Pfizer por 2 meses

Renan aponta contradições de ex-secretário de Comunicação do governo em relação à entrevista anterior e ameaça pedir sua prisão

12 mai 2021 15h15
| atualizado às 15h18
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O ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten admitiu, durante depoimento na CPI da Covid, que uma carta da farmacêutica Pfizer, que havia oferecido uma negociação ao governo brasileiro para aquisição de vacinas contra a covid-19, ficou dois meses sem resposta do Palácio do Planalto. A carta foi endereçada ao presidente Jair Bolsonaro, ao vice-presidente Hamilton Mourão e ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

"A carta foi enviada em 12 de setembro, o dono do veículo de comunicação (que pediu a Wajngarten celeridade na negociação com a Pfizer) me avisa, em 9 de novembro, que a carta não havia sido respondida. Nesse momento, eu mando um e-mail ao presidente da Pfizer, que consta nessa carta. Respondi a essa carta, no dia em que recebi. Quinze minutos depois, o presidente da Pfizer do Brasil, Carlos Murilo, que virá aqui amanhã - respondi para Nova Iorque - me liga. 'Fabio, muito obrigado pelo seu retorno'. No dia 9 de novembro, foi o primeiro contato", afirmou o ex-chefe da Comunicação do governo.

À mesa, o ex-secretário de Comunicação Social da presidência Fabio Wajngarten
À mesa, o ex-secretário de Comunicação Social da presidência Fabio Wajngarten
Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado

Segundo Wajngarten, o acordo com a Pfizer foi atrapalhado pela cláusula de foro de potencial e solução de conflitos, que exigia que o contrato fosse administrado pela câmara arbitral de Nova York, e não por um tribunal brasileiro, "como o governo queria".

O acordo com a Pfizer também enfrentou dificuldades em função da cláusula de isenção completa de responsabilização e indenização da farmacêutica, disse Wajngarten, que citou ainda como obstáculo cláusula determinando a criação de medida provisória na qual o Brasil deveria elencar ativos e bens como garantia em caso de processos internacionais.

O ex-secretário se esquivou de responder a diversos questionamentos dos senadores da CPI da Covid. Nas declarações do ex-funcionário do Planalto, foram identificadas contradições com o que ele afirmou em entrevista à Revista Veja no final de abril. "Vou cobrar à revista Veja, se ele não mentiu, que ela se retrate. Se ele mentiu a essa comissão, vou requerer a Vossa Excelência, na forma da legislação processual, a prisão do depoente", afirmou o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), que trocou a placa que o identificava à mesa por outra com o número de mortos pela covid: 425.711.

Incompetência

Na CPI, Wajngarten evitou falar em incompetência do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello no processo de aquisição de vacinas da Pfizer.

Na entrevista à Veja, Wajngarten adotou tom muito mais contundente em relação ao Ministério da Saúde e seu titular à época: "Incompetência e ineficiência. Quando você tem um laboratório americano com cinco escritórios de advocacia apoiando uma negociação que envolve cifras milionárias e do outro lado um time pequeno, tímido, sem experiência, é isso que acontece". E completou: "Estou me referindo à equipe que gerenciava o Ministério da Saúde nesse período".

Questionado sobre suas declarações à revista, Wajngarten negou que pretendesse responsabilizar Pazuello, e atribuiu essa conclusão à Veja. "Eu entendo que a incompetência é ficar refém da burocracia". Ele foi cobrado repetidas vezes por Renan sobre quem seria responsável pelo atraso na aquisição das vacinas da Pfizer e sobre a criação de um gabinete paralelo de aconselhamento a Bolsonaro sobre a pandemia, mas o ex-secretário alegou desconhecer os casos apontados.

"Vossa Excelência é a primeira pessoa que incrimina o presidente da República porque iniciou uma negociação, como secretário de Comunicação, se dizendo em nome do presidente. É a prova da existência disso (de um gabinete paralelo)", reagiu Renan.

Estadão
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