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Volta de aulas presenciais em SP tem baixa adesão no 1º dia

Aviso em cima da hora e taxa de infecção ainda em alta preocupam famílias

12 abr 2021 20h43
| atualizado às 21h21
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No primeiro dia de reabertura após o fim da fase emergencial, escolas particulares de São Paulo tiveram adesão menor de estudantes ao ensino presencial. Os colégios atribuem a baixa presença nesta segunda-feira, 12, aos números ainda elevados de infectados pela covid-19 na capital paulista e à mudança de regras em cima da hora - a decisão sobre a reabertura foi tomada na sexta-feira, 9.

Colégios ouvidos pelo Estadão receberam menos de 35% dos estudantes previstos. O porcentual ficou em torno de 20% e, em algumas etapas, as salas ficaram vazias. Na rede municipal, a Prefeitura informou não ter balanço da presença. Nem todos os colégios reabriram nesta segunda-feira - caso do Santa Cruz, Equipe e Gracinha.

Escolas continuam fechadas por causa da pandemia do novo coronavírus
Escolas continuam fechadas por causa da pandemia do novo coronavírus
Foto: Leandro Ferreira/FotoArena / Estadão Conteúdo

No Colégio Humboldt, zona sul, o ensino fundamental 1 (1º ao 5º ano), que poderia receber até 35% dos estudantes, teve só 20% dos alunos. A adesão foi menor ainda nas etapas seguintes, com alunos mais velhos. "No ensino médio, tinha bem pouca gente nas salas. Acho que as famílias ainda sentem que o momento da pandemia é crítico. Então, vêm para a escola as que realmente precisam", disse o diretor, Fabio Martinez.

O aval do governo estadual, dado em cima da hora, também pode ter contribuído para a baixa adesão, segundo o diretor. Algumas famílias viajaram para cidades do interior, em meio à piora da pandemia. A volta às aulas na capital estava condicionada ao fim da fase emergencial, decretada só na sexta pela gestão João Doria (PSDB). Na própria sexta, colégios começaram a mandar comunicados aos pais de alunos e consultar sobre a intenção de retorno à escola.

No Colégio Magno, zona sul, foram à escola 25% dos estudantes. O porcentual foi menor ainda no Agostiniano Mendel, na zona leste, que teve 12,5% dos alunos - no primeiro dia de aulas, em fevereiro, foram 21,8%. A escola atribui a queda à semana de provas. Balanço do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de São Paulo (Sieeesp) indicou frequência de 20% a 25%. O presidente do Sieeesp, Benjamin Ribeiro, estima que até o fim da semana, a adesão chegue aos 35% - limite máximo permitido na fase vermelha.

Na Escola Móbile, zona sul, metade do esperado compareceu. Segundo a escola, o porcentual se deve ao fato de que o colégio recomendou que os pais privilegiassem o ensino remoto nesta semana. Nas escolas da rede Luminova, dos 735 que poderiam frequentar as aulas, só 210 estiveram presentes -10% dos matriculados nas unidades da rede.

Os colégios Pentágono, zona oeste, Mary Ward, leste, e Franciscano Pio XII, sul, também não atingiram o porcentual máximo de 35% dos alunos - a frequência ficou entre 20% e 25%. Para Luiz Antonio Barbagli, presidente do Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP), a baixa adesão tem relação com o medo das famílias. O Sinpro-SP não tinha nesta segunda balanço da adesão dos professores à greve da categoria. Segundo o sindicato, ao menos 30 escolas não reabriram, como Santa Cruz, Gracinha, Equipe e São Domingos.

A decisão de manter fechado o Colégio Santa Cruz, na zona oeste, motivou críticas de pais insatisfeitos com a falta de aulas presenciais. Eles ameaçaram entrar na Justiça contra a escola, tirar os filhos do colégio e até pediram a demissão do diretor do Santa Cruz.

O advogado Alessandro Ghilardi, de 42 anos, é um dos que estudam trocar o filho, de 9 anos, de colégio. "A postura da escola durante a pandemia nunca foi a favor dos alunos", disse o pai, que também critica a cobrança da mensalidade cheia pela escola. Ghilardi teme que, mesmo com a melhora da pandemia, a escola adote uma posição de manter o fechamento. "Não sabemos para onde vai a escola, para onde vão se dirigir os interesses dela."

"Eles nunca colocaram as crianças em primeiro lugar. As preocupações são sempre genéricas, com a sociedade, com a comunidade", disse o empresário Bruno Zangari, de 40 anos. Pai de duas meninas, de 11 e 5 anos, matriculadas no colégio, ele cogita tirar a mais nova da escola. "Vemos o Santa Cruz fechando antes e abrindo depois. Estamos com as crianças em casa há mais de um ano. Isso está fazendo um mal mental absurdo para elas."

No fim de semana, grupos de WhatsApp de pais tiveram debates acalorados sobre a opção do colégio. Famílias favoráveis à decisão do Santa Cruz assinaram carta de apoio à direção. Para a empresária Ana Leite, de 50 anos, mãe de gêmeos do 3º ano do ensino médio, a preocupação com as aulas presenciais das crianças é legítima, mas incomoda a forma de protesto.

"Pode ter todas as reclamações do mundo. O problema é apelar para querer derrubar o diretor, para medida judicial. Tempos atrás queriam fazer manifestação na porta da casa do diretor. Parece briga de 5ª série", diz Ana. Para ela, que assinou a carta em apoio à escola, é preciso olhar para o desafio coletivo de preservar vidas e, no âmbito da educação, a prioridade não deveria ser dada às escolas de elite.

"Quem precisa mais é a escola pública, quem não tem o que comer, que terá evasão escolar. Não são os nossos filhos, de classe média alta." O Santa Cruz informou, por meio de nota, que "respeita as opiniões e as decisões das famílias e prefere tratar as questões individualmente com elas". O colégio ainda avisou às famílias que vai reabrir na próxima segunda-feira, 19.

Estadão
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