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Rede colombiana começa a funcionar no Brasil e quer ser o fast-food do prato feito

Ainda neste mês a startup Muy vai abrir sua primeira cozinha no País, no centro de São Paulo, de onde vai entregar PFs por R$ 15

13 out 2020
10h33
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Em meio à pandemia que provocou uma forte crise no setor de bares e restaurantes, a startup colombiana de alimentação Muy quer disputar o mercado do prato feito, o popular PF, e de comida por quilo no Brasil. Na segunda quinzena deste mês, a empresa estreia no País. Abre a primeira cozinha, instalada na região central da capital paulista, que vai produzir pratos feitos vendidos pelo sistema de delivery por R$ 15.

"Vamos iniciar com o delivery para começar a entender o mercado brasileiro. Depois vamos expandir de forma mais agressiva", diz Jose Guillermo Calderón, cofundador e CEO da startup, com 50 restaurantes espalhados entre Colômbia e México.

A empresa conta com recursos de fundos de risco (venture capital) americano e espanhol para bancar a expansão. A rede encerrou o primeiro semestre deste ano com faturamento de US$ 4 milhões, desempenho que foi afetado pelo fechamento de lojas por causa das medidas de isolamento social que houve nos dois países.

Restaurante da rede de fast-food Muy na Colômbia.
Restaurante da rede de fast-food Muy na Colômbia.
Foto: Muy/Divulgação / Estadão

A depender do desenrolar da pandemia, o plano da startup para o ano que vem é ter entre 20 e 30 restaurantes e cozinhas que preparam pratos para delivery (cloud kitchen) na cidade de São Paulo, na região das avenidas Paulista e Faria Lima. Nessa primeira rodada, serão investidos US$ 5 milhões e abertos 300 postos de trabalho. Inicialmente a empresa vai operar com as entregas feitas por meio do aplicativo iFood. Posteriormente, terá logística própria também, da mesma forma como já atua na Colômbia e no México.

Para 2022, a intenção é expandir a rede para a cidade do Rio de Janeiro e Porto Alegre (RS). A meta é ter até 2025 cerca de mil restaurantes no País e abrir 10 mil postos de trabalho, com investimentos de US$ 150 milhões.

O fechamento em massa de restaurantes e bares nos últimos meses por causa da pandemia não fez Calderón desistir da ideia de se estabelecer no País. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), 30% dos cerca de 1 milhão de estabelecimentos em funcionamento antes da pandemia encerraram as atividades.

O que atrai a companhia é o potencial do mercado brasileiro. O País responde pela metade do mercado de fast-food da América Latina, que gira US$ 280 bilhões por ano e deve atingir US$ 308 bilhões em 2025. Além do grande volume de recursos, a consolidação é muito baixa. As dez maiores redes de fast-food respondem por 6% do mercado nacional. Se forem incluídas as demais redes, essa fatia pode chegar a 15%. "O restante é um mercado informal, que não tem grandes processos de tecnologia. É esse segmento que nós queremos atacar, com uma lanchonete ou um restaurante por quilo mais eficiente", diz o empresário.

Cardápio

A entrada no País ocorre após estudos sobre o potencial de mercado e o cardápio local, voltado para a classe média emergente. "Vamos oferecer um PF saudável por um bom preço", diz Calderón, que encontrou em sua pesquisa PF vendido por R$ 13 no mercado informal. Ao todo, serão sete pratos, entre os quais estão feijão com arroz, feijoada, estrogonofe, por exemplo. Também será possível montar o prato, fazendo substituições de proteína ou legumes. "Pesquisamos o cardápio que o brasileiro leva na sua marmita."

Para Cristina Souza, CEO da Gouvêa Foodservice, a investida da rede colombiana faz sentido, especialmente num momento em que houve quebradeira nos restaurantes por quilo por causa da pandemia. "Eles devem ter um bom espaço sim." Ela destaca também que o valor do PF, de R$ 15, é extremamente atraente. Além disso, começar atuando pela região central da cidade de São Paulo e com uma estratégia digital forte são pontos muitos adequados ao consumidor que a empresa quer atingir.

No entanto, ela alerta que a vida dessa nova companhia pode não ser tão fácil. Isso porque outras empresas que já atuam em rede fora do segmento de sanduíches também estão com o foco em refeições de baixo custo. "Eles não vão encontrar um oceano vermelho, mas não será totalmente azul. Tem competidores se movimentando." Outro obstáculo à expansão apontado pela especialista é o forte movimento de prestigiar a compra local, do comércio de vizinhança que ganhou força com a pandemia.

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Estadão
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