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Quase 30% dos adultos já se contaminaram com covid em SP

Pesquisa que mede a presença de anticorpos na população apontou um aumento de 300 mil casos em três meses; parte dessa elevação ocorreu entre jovens de 18 a 34 anos, confirmando que essa faixa vem se expondo mais

5 fev 2021 12h03
| atualizado às 12h11
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Quase 30% da população adulta de São Paulo, no momento em que a vacinação contra a covid-19 começou na cidade, já tinha anticorpos para o coronavírus Sars-CoV-2, o que indica que cerca de 2,5 milhão de pessoas com mais de 18 anos já tinham se contaminado em algum momento desde o início da pandemia.

07/07/2020
REUTERS/Adriano Machado
07/07/2020 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

Os dados são da quinta fase da pesquisa SoroEpi, mapeamento conduzido em uma parceria de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Grupo Fleury com o Ibope Inteligência, para medir a prevalência de anticorpos na população da capital.

A coleta, feita entre 14 e 23 de janeiro, apontou um aumento de 300 mil casos desde a fase anterior, realizada no início de outubro. Na fase 4 a soroprevalência era de 26,2%, e agora subiu para 29,9%.

De acordo com o levantamento, parte dessa elevação ocorreu entre jovens de 18 a 34 anos, confirmando a percepção de que essa faixa etária vem se expondo mais nos últimos tempos. A soroprevalência nesta faixa etária passou de 24,7% na fase 4 para 33% na fase 5. Com esse aumento, a prevalência entre os mais jovens ficou 1,7 vez maior que entre os de mais de 60 anos (19,9%), que parecem estar se protegendo mais.

"Esses dados indicam que as diferenc¸as entre grupos estão diminuindo e que os mais jovens esta~o se infectando em nu´mero crescente. É um dado que, de maneira não medida diretamente, já era percebida pelo governo e pelos hospitais e médicos. Os mais jovens estavam furando mais as medidas de distanciamento social", disse o biólogo Fernando Reinach, colunista do Estadão e responsável por reunir os pesquisadores participantes do SoroEpi, em coletiva de imprensa para divulgação dos dados.

A pesquisa mostra que o vírus está se espalhando mais pela cidade, mas ainda não de forma homogênea. A soroprevalência continua maior nos distritos mais pobres (36,4%) do que nos mais ricos (22,8%).

Esta estimativa chega a 37,9% entre os que têm renda de até R$ 2.200 e a 37,8% entre aqueles que declararam cor de pele parda e preta. A soroprevale^ncia entre eles é 1,6 vez maior que entre os brancos (23,2%).

Mas houve uma redução das diferenças quando considerado o nível de escolaridade. Pessoas que estudaram ate´ o ensino fundamental apresentaram uma soroprevale^ncia 1,7 vez maior que indivi´duos com ni´vel superior completo (33,8% versus 19,6%). Essa diferenc¸a era de 2,2 vezes na fase 4 do estudo.

Oficialmente a prefeitura apontava que havia em 23 de janeiro, quando a coleta de dados foi concluída, 546.523 casos confirmados de infecção. O inquérito sorológico indica uma prevalência quase cinco vezes maior da circulação do vírus.

Estadão
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