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Nove em cada dez brasileiros confiam na vacina, diz pesquisa

Levantamento feito pela empresa Offerwise revelou ainda que 97% dos entrevistados têm o hábito de se vacinar

18 out 2021 20h15
| atualizado às 21h07
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Uma pesquisa realizada pela empresa Offerwise detalhou a confiança que o brasileiro tem com as vacinas, principalmente com os imunizantes que combatem a covid. Os resultados foram revelados durante o Summit Saúde 2021, evento promovido pelo Estadão. O levantamento ouviu 1,5 mil pessoas, de todas as regiões do Brasil, e revelou que 97% dos entrevistados têm o hábito de se vacinar. Os principais motivos para não se vacinar, de acordo com a pesquisa, são a falta de confiança/interesse, medo de agulha, falta de tempo, que vacinas não são eficazes, entre outros.

A pesquisa mostrou que, mesmo com o aumento da desinformação e o negacionismo, vindos de diversos lugares, e por mais que muitos movimentos antivacina tenham se destacado durante a pandemia, a maioria da população aderiu à vacinação, e defende a eficácia dos imunizantes.

A maioria dos entrevistados (97%) afirma entender o papel das vacinas na erradicação de doenças, e 88% confia na eficácia das vacinas contra a covid disponíveis no Brasil. 5% dos entrevistados confia nas vacinas, mas ainda tem dúvidas sobre os imunizantes. O perfil de entrevistado que é mais propenso a promover a vacinação é de mulheres de classe A. A classe C é a que menos acredita no trabalho da ciência.

Segundo o pneumologista e professor do Instituto de Métricas e Avaliação de Saúde, Vin Gupta, palestrante que abriu o Summit Saúde, é importante reforçar as informações corretas sobre a imunização para que as pessoas tenham confiança nas vacinas. "A única maneira de sair da pandemia é dar acesso amplo à vacinação", afirmou o médico.

Profissional de saúde prepara vacina contra covid-19 CoronaVac para aplicação em Magé, no Rio de Janeiro
07/04/2021 REUTERS/Pilar Olivares
Profissional de saúde prepara vacina contra covid-19 CoronaVac para aplicação em Magé, no Rio de Janeiro 07/04/2021 REUTERS/Pilar Olivares
Foto: Reuters

Gupta ainda foi enfático ao afirmar que as duas doses da vacina são "totalmente eficientes para dispensar hospitalização". O médico americano ainda criticou o estoque de vacinas que países ricos tem feito. "É inaceitável aceitar que países ricos continuem comprando vacinas com um preço alto [...] precisamos de vacinas em todos os países".

Questionado sobre o momento atual momento em que o Brasil se encontra, com mais de 100 milhões de brasileiros que receberam duas doses de vacina e o retorno às aulas presenciais, Gupta afirmou que é preciso ter otimismo, mas que a doença "não será erradicada, vamos nos adaptar a ela".

Medicina Digital

O Summit Saúde ainda apresentou um painel sobre medicina digital, que discutiu os impactos da tecnologia nos diferentes elos da cadeia de prestação de serviços de saúde, como telemedicina, multiômica (genômica, proteômica, metabolômica, etc.), edição genética (CRISPR) e trans-humanização.

O debate foi mediado pela repórter especial de Saúde do Estadão Cristiane Segatto e contou com a participação da diretora médica da Pfizer, Márjori Dulcine, que falou sobre a aceleração na pesquisa de imunizantes. "Foi um momento que exigiu uma nova forma de se pensar em como acelerar as diferentes etapas sem comprometer a segurança dos participantes. [...] Todas as etapas necessárias para um programa de desenvolvimento clínico foram mantidas no desenvolvimento da vacina".

Márjori ainda expôs que todo o processo de aprovação de vacinas precisou ser acelerado. "A pandemia nos fez repensar os processos, desafiamos internamente a companhia, mas também o cenário externo: as agências regulatórias do mundo todo, inclusive do Brasil, também tiveram que se adaptar, todos precisaram repensar os seus processos e os tempos."

Falando sobre as novidades no campo da genética, a professora titular de Genética do Instituto de Biociências da USP, Mayana Zatz, apresentou uma pesquisa com base em técnicas de edição de genes. "Nós conseguimos silenciar os genes dos suínos, que são os que têm os órgãos mais semelhantes aos seres humanos, de modo que eles possam servir de doadores de órgãos sem que aja rejeição". Segundo a pesquisadora o projeto pode revolucionar a medicina, pois vai diminuir a fila de espera pelos transplantes.

O diretor de Saúde na Care Plus, Ricardo Salem, ajudou a esclarecer os limites e as possibilidades da telemedicina. "A telemedicina veio para complementar o que nós temos no atendimento físico. A telemedicina não vai substituir o atendimento presencial, mas vai ajudar nos processos que temos hoje". Para o diretor, nem todos os atendimentos podem se beneficiar da telemedicina, como os atendimentos pediátricos: "o médico tem um pouco de dificuldade em fazer a criança interagir com uma tela".

Para o urologista e coordenador do Centro Especializado de Cirurgia Robótica do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Carlo Passerotti, essa modalidade de cirurgia ainda carrega um estigma de uma perfeição que não existe. Segundo ele, a cirurgia robótica não tem uma inteligência artificial que dispensa um operador humano, ela replica o movimento do médico. "A grande vantagem é realizar uma cirurgia menos invasiva, com cortes menores", explica Passerotti.

Ainda sobre cirurgia robótica, o gerente médico do Programa de Cirurgia e Cirurgia Robótica do Hospital Israelita Albert Einstein, Nam Jin Kim, explicou que a cirurgia robótica não ensina ninguém a operar. "O cirurgião precisa ser treinado adequadamente na plataforma para que ele possa entregar uma técnica que ele já conhece, para que o resultado seja igual ao método tradicional", conta o cirurgião. "A cirurgia robótica aumentará a capacidade do cirurgião, e, dessa forma, ajudando o paciente".

O Summit Saúde 2021 é o maior evento sobre saúde do Brasil e tem como tema diagnóstico da saúde no futuro.

Estadão
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