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Hashtag denuncia realidade das favelas no combate à covid-19

Quarentena, lavagem das mãos e uso do álcool em gel são privilégios que moradores das comunidades já não têm

20 mar 2020
07h20
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Segundo o jornal O Globo, a lista de vacinas contra o coronavírus conta com 41 projetos registrados, sendo que um deles já se encontra em estágio de testes em humanos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) avalia que o produto final possa ser aprovado e disponibilizado para o público em até dois anos. A prevenção, portanto, segue como a melhor forma de evitar o contágio da covid-19. Mas nem todos têm condições de seguir as recomendações do Ministério da Saúde

Vista da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro: comunidades sofrem com falta de estrutura para se prevenir contra coronavírus
Vista da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro: comunidades sofrem com falta de estrutura para se prevenir contra coronavírus
Foto: WILTON JUNIOR / Estadão

“As três principais dicas para evitar exposição e proliferação não nos cabem. Lavar sempre as mãos? Falta água direto. Usar álcool gel? Não tem dinheiro para. Quarentena/isolamento, com casas de dois ou três cômodos e 6 pessoas? Como na favela?”, escreve Raull Santiago (@raullsantiago), ativista e fundador do Coletivo Papo Reto, um grupo de comunicação independente, composto por moradores dos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro. Através da hashtag #COVID19NasFavelas, no Twitter, Raull, comunicadores e moradores de comunidades têm denunciado a realidade das favelas e os obstáculos para se proteger do novo coronavírus, com os problemas já conhecidos no cotidiano de todos eles. 

“Aqui na favela, só cai água duas vezes por semana. Nós economizamos água não apenas por consciência, mas também por sobrevivência. Lavar a mão o tempo inteiro, não é uma possibilidade. Ainda lutamos pelo direito a água aqui”, explica Raull, em um fio postado no seu perfil.

Em outra postagem, usando a mesma hashtag, o jornalista René Silva (@eurenesilva), do jornal comunitário Voz das Comunidades, alerta para a falta de abastecimento de água do Complexo do Alemão e a dificuldade de encontrar álcool em gel nas farmácias.

Para além dos perigos do coronavírus, a falta de consciência de classe oferece grandes riscos aos que não podem desfrutar do privilégio, e direito, de permanecerem em seus lares, ainda que em condições pouco apropriadas para a quarentena. “A favela segue preocupada, mas continua vivendo seu cotidiano de muito trabalho. Mototaxistas não podem parar seus serviços, os camelos seguem vendendo seus produtos. Quarentena para quem? Quem não tem carteira assinada vira-se como pode para sobreviver”, tuita o ativista racial, educador popular e professor de Literaturas Jonas di Andrade (@jonasdiandrade).


Na manhã de quinta-feira, 19, a primeira morte do estado Rio de Janeiro por coronavírus foi confirmada. A vítima tinha 63 anos de idade e sofria de diabete e hipertensão. Empregada doméstica, ela teve contato com a patroa, que esteve na Itália e testou positivo para a covid-19

Denunciar e resistir

Além das denúncias, os tuítes com a hashtag #COVID19NasFavelas têm servido também para identificar ações para ajudar e informar a comunidade. Babu Santana, um dos integrantes da 20ª edição do reality show Big Brother Brasil, da TV Globo, é um dos usuários a reforçar essa rede de apoio. “E no teu morrão? Na tua quebrada? Na tua favela? Tem água? Sabão? E álcool? Divide com nós”, escreveu.

A música também é usada como aliada. No perfil de Rene Silva, o funk do coronavírus, com o emblemático áudio de Cardi B. entoando o ‘coronavairus’, faz o rap das principais medidas de prevenção da doença em vídeo explicativo, que mostra ainda o passo a passo de como lavar as mãos usando uma garrafa de plástico, para poupar água.

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Fonte: Equipe portal
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