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Guedes promete fazer 'redução drástica de gastos' em 2021

Ministro afirmou que o País gastou 10% do PIB este ano em programas de combate à pandemia de covid-19, mas que vai retomar a trajetória fiscal

6 ago 2020
11h04
atualizado às 14h06
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BRASÍLIA - O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a dizer que a economia brasileira estava "decolando" quando foi atingida pela pandemia de covid-19. Após os gastos extraordinários deste ano, o ministro prometeu uma redução drástica de despesas em 2021.

"Gastamos 10% do PIB em 2020 em programas de assistência na pandemia. O déficit fiscal seria de 1% do PIB neste ano, mas vai chegar a 11% do PIB. Em 2021, voltamos à trajetória fiscal e reduziremos drasticamente o gasto", afirmou, em evento promovido pela Fundação Internacional para a Liberdade (FIL) nesta quinta-feira, 6. A instituição é presidida pelo prêmio Nobel de literatura, Mario Vargas Llosa.

Mais uma vez, Guedes destacou que o governo brasileiro gastou mais que o dobro da média dos países emergentes em medidas de enfrentamento à pandemia. "Apenas os Estados Unidos gastaram mais que o Brasil", repetiu.

O Tribunal de Contas da União (TCU) acompanha os gastos do governo durante a pandemia e alertou, na quarta-feira, 5, que não vai permitir manobras contábeis com folgas dos créditos extraordinários para abrir espaço no teto do gasto - a regra que impede o crescimento das despesas acima da inflação.

O ministro citou o liberalismo defendido por Vargas Llosa para dizer que a agenda liberal do governo de Jair Bolsonaro não foi alterada pela crise. "Não quero entrar profundamente na guerra cultural, prefiro falar de economia. O presidente Bolsonaro nos dá o suporte para seguirmos com as privatizações e o programa de reformas. Perdemos um ano fiscal, mas preservamos vidas e o Brasil irá surpreender o mundo novamente", completou.

Renda Brasil

Guedes voltou a dizer que o governo pretende focalizar os diversos programas de transferência de renda em apenas um, o chamado Renda Brasil. Segundo ele, melhorar a eficiência desses repasses permitiria aumentar a base de beneficiários sem elevar o custo fiscal da medida.

"Estamos próximos de criar novo programa de renda e devemos adicionar cerca de 6 milhões de pessoas às 20 milhões que já recebem recursos pelos programas existentes (como o Bolsa Família). Vamos concentrar três, cinco, programas de renda que não funcionam em um só que funcione. Hoje gastamos R$ 100 e só R$ 5 vão para os pobres", afirmou.

O ministro prometeu também ações para estimular o emprego na saída da crise causada pela pandemia de covid-19 e voltou a reclamar da associação de um novo imposto sobre pagamentos com a extinta CPMF. "Não temos espaço fiscal para eliminar impostos na folha de salários, por isso vamos reduzir imposto na folha e um novo imposto está sendo estudado. Queremos substituir o imposto cruel sobre folha, mas não haverá aumento de carga tributária", garantiu.

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