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Gabbardo: antecipar 2ª dose pode atrasar vacinação por idade

Estado de SP avalia nesta quinta-feira se reduz o intervalo de aplicação da vacina no momento em que a variante Delta preocupa autoridades

8 jul 2021 12h07
| atualizado às 12h39
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João Gabbardo dos Reis, membro do Centro de Contingência contra a Covid-19 de São Paulo, em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes
João Gabbardo dos Reis, membro do Centro de Contingência contra a Covid-19 de São Paulo, em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes
Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo / Estadão Conteúdo

O governo de São Paulo vai avaliar nesta quinta-feira, 8, se reduz o intervalo de três meses entre as doses de vacinas contra a covid-19, no caso dos imunizantes Pfizer e Astrazeneca. A decisão deve ser anunciada ainda neste fim de semana.

O coordenador executivo do Centro de Contingência da covid-19 no Estado, João Gabbardo, disse que, em sua avaliação, a alteração pode retardar o cronograma para aplicação da primeira dose na população adulta.

A circulação da variante Delta, que estudos já mostraram ser mais transmissível, preocupam autoridades. Até o momento, cinco Estados já aderiram à antecipação.

"Isso vai ser discutido hoje (nesta quinta-feira) no grupo que compõe o Programa Estadual de Imunização. Tenho uma resistência com essa ideia", afirmou Gabbardo em entrevista à Rádio Eldorado, nesta manhã. "Quando você usa uma vacina com uma previsão que não estava no planejamento, obviamente que retarda a vacinação de outros grupos de faixa etária. O atraso afeta todos que ainda não foram vacinados, tem efeito cascata".

O ex-secretário executivo do Ministério da Saúde declarou ainda que acredita ser mais seguro ter um número maior de pessoas imunizadas com a 1ª dose, mas que a decisão será analisada em conjunto. O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, defendeu um intervalo menor do que três meses para a aplicação de doses. Possíveis alterações no cronograma devem ser anunciadas ainda neste fim de semana ou na segunda-feira, 12.

Variante Delta

A deliberação é motivada pelo avanço da variante Delta. No início desta semana, São Paulo confirmou o primeiro registro da mutação, considerada mais transmissível por especialistas.

Segundo Gabbardo, o Estado já considera a transmissão comunitária da cepa. "As recomendações não mudam, são as mesmas para todas as variantes: distanciamento físico, uso de máscaras, higienização e, o mais importante, acelerar a vacinação", pontuou.

As modificações no cronograma de vacinação devem levar outros dois fatores em conta. A antecipação em um mês, pelo Instituto Butantan, de 100 milhões de doses de CoronaVac, que seriam entregues somente no fim de setembro, direcionadas ao Programa Nacional de Imunização. E a aquisição pelo governo estadual de 4 milhões de doses extras do imunizante, acordada com a biofarmacêutica chinesa Sinovac. No caso da Coronavac, o intervalo entre as doses é de até 28 dias.

Comércio e escolas

Gabbardo defendeu as alterações no Plano São Paulo anunciadas na quarta-feira, 7, pelo governador João Doria (PSDB). De acordo com as novas regras, o horário de funcionamento do comércio será ampliado em todo o Estado, que também terá a volta às aulas presenciais nas universidades.

"O que nós temos de concreto hoje no Estado de São Paulo é uma redução no número de internações há quatro semanas e redução no número de óbitos há duas semanas, os dados são bastante positivos", afirmou.

Questionado sobre o avanço das variantes Delta e Lambda, Gabbardo declarou que as recomendações e decisões são tomadas com base em dados concretos. "Não podemos fazer previsões em cima de uma possibilidade de um aumento de transmissibilidade por uma determinada variante."

Estadão
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