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Crise da covid-19 dá espaço a empresas de tecnologia, que disparam na Bolsa

Com forte valorização nos últimos 90 dias, Facebook, Apple, Amazon, Google e Microsoft já representam 20% do S&P 500, índice de grandes empresas americanas

12 jun 2020
15h05
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As empresas de tecnologia aceleraram o crescimento nos últimos 90 dias, na esteira da pandemia de coronavírus, que obrigou parte da população mundial a ficar em casa para conter o ritmo de disseminação do novo coronavírus. As empresas "tech" estão valendo cada vez mais, com valores de mercado que superam, de longe, o Produto Interno Bruto (PIB) de muitas economias.

Nos Estados Unidos, Facebook, Apple, Amazon e Microsoft, gigantes listadas na Nasdaq, bateram nessa semana valor de mercado recorde: juntas valem US$ 5 trilhões, mais do que três vezes PIB brasileiro no ano passado.

Com esse crescimento sem precedentes, essas quatro empresas, mais a Alphabet, dona do Google, já representam cerca de 20% de um dos principais índices do mundo, o S&P 500. O destaque das empresas de tecnologia no índice, destaca o chefe de análise do BTG Pactual, Carlos Sequeira, já estava em curso nos últimos anos, mas a pandemia acelerou o processo, já que o setor acabou tendo os negócios impulsionados na quarentena.

A valorização dessas empresas tem feito com que a fortuna de seus fundadores desse um salto em meio à pandemia, como Jeff Bezos (Amazon), Bill Gates (Microsoft), Mark Zuckerberg (Facebook). Bezos é o homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 150 bilhões, crescimento de cerca de US$ 35 bilhões somente neste ano.

O estrategista internacional XP Investimentos, Guilherme Giserman, destaca que esse movimento começou em 2008, na esteira da crise financeira global. "Hoje, essas empresas têm geração forte de lucro e balanços fortes", comenta. Além das empresas de tecnologia pura, como as cinco grandes nos Estados Unidos, o movimento já chegou há algum tempo nas empresas tradicionais, que a cada dia estão mais ligadas ao setor de tecnologia - o que também ganhou mais tração, de forma mandatória, com a crise.

Já outras empresas estão aproveitando para se reinventar nesse momento. Giserman cita a Disney, por exemplo, que tem avançado em sua plataforma de streaming. "Com a quarentena, esse processo se acelerou. As empresas que terão sucesso nesse processo de modernização são as que vão prosperar", afirma.

Nesta semana o S&P chegou a zerar as perdas registradas em meio à crise do covid-19, na esteira dos trilhões de dólares que foram injetados pelos Bancos Centrais em todo o mundo. Somado a um cenário de juros baixíssimos em escala mundial, o juro baixo tem empurrado cada vez mais investidores para a renda variável.

No Brasil

Sequeira, do BTG, afirma que, aos poucos, esse movimento de maior presença de empresas de tecnologia começa a ser percebido na bolsa brasileira, mas, por aqui, é natural que empresas ligadas a commodities, como Petrobrás, Vale e os principais bancos, tenham uma presença predominante.

O presidente da B3, Gilson Filkelsztain, disse que é uma tendência natural que novos negócios ganhem mais espaço, mas que tal mudança não deve ser rápida. "Temos muitos bons negócios da velha economia, fortes e sólidos, e que refletem a economia no Brasil. Mas vamos ter a entrada e desenvolvimento de novos negócios. Essa combinação é boa e vai refletir o que é o Brasil", disse o executivo, em podcast produzido pelo Itaú BBA, divulgado nesta semana.

Além disso, Finkelsztain lembra que será observado também o fenômeno de empresas da velha economia que irão se transformar. O caso mais citado no mercado, um consenso, é a Magazine Luiza - que é de bem antes da pandemia já era uma "queridinha" do mercado.

"O crescimento das empresas de tecnologia já existia antes da pandemia e foi potencializado pelo lockdown com as pessoas em home office utilizando mais ferramentas online para trabalhar, comprar e para o entretenimento. No dia 1º de maio, por exemplo, o PayPal foi mais utilizado para pagamentos do que no dia de Black Friday nos EUA. E a tendência é que isso continue, não vamos utilizar menos as tecnologias quando nossas vidas se normalizarem, acho que teremos um novo normal", Francine Balbina, especialista em investimentos globais da casa de análise Spiti.

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Estadão
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