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Contas externas fecham outubro no vermelho em US$ 4,5 bilhões

Investimentos estrangeiros destinados ao setor produtivo, que somaram US$ 2,493 bilhões no mês, não cobrem o rombo

25 nov 2021 11h21
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O resultado das transações correntes do Brasil com outros países ficou negativo em outubro deste ano, em US$ 4,464 bilhões, informou nesta quinta-feira, 25, o Banco Central. Este é o pior desempenho para meses de outubro desde 2019, quando o saldo foi negativo em US$ 9,257 bilhões.

A conta de transações correntes no balanço de pagamentos engloba todos os negócios do Brasil com o exterior, incluindo o saldo comercial de mercadorias e serviços, as remessas de lucros e dividendos e os juros pagos pelas empresas, além das transferências pessoais entre países.

Sede do Banco Central; Resultado das transações correntes do Brasil com outros países ficou negativo em US$ 4,464 bi em outubro, pior desempenho para o mês desde 2019. 
Sede do Banco Central; Resultado das transações correntes do Brasil com outros países ficou negativo em US$ 4,464 bi em outubro, pior desempenho para o mês desde 2019.
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil / Estadão

A balança comercial registrou saldo positivo de US$ 6,271 bilhões em julho, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 1,338 bilhão. A conta de renda primária também ficou deficitária, em US$ 6,769 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou negativo em US$ 1,756 bilhão.

O número de outubro ficou dentro do levantamento realizado pelo Projeções Broadcast, que tinha intervalo de déficit de US$ 6,000 bilhões a rombo de US$ 1,100 bilhão (maioria das projeções negativa em US$ 5,000 bilhões). O BC projetava para o mês passado déficit de US$ 4,2 bilhões na conta corrente.

Pela metodologia do Banco Central, a balança comercial registrou saldo positivo de US$ 1,303 bilhão em outubro, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 1,468 bilhão.

Os dados refletem os efeitos da pandemia do novo coronavírus, que desde março do ano passado tem reduzido o volume de importações de produtos. Ao mesmo tempo, o Brasil tem se aproveitado da maior demanda global por commodities, produtos básicos, como alimentos, minério de ferro e petróleo, que são pilares da pauta de exportação do País.

A conta de renda primária também ficou deficitária, em US$ 4,596 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou negativo em US$ 4,743 bilhão.

No acumulado dos dez primeiros meses do ano, o rombo nas contas externas soma US$ 15,783 bilhões. A estimativa atual do BC é de déficit na conta corrente de US$ 21 bilhões em 2021. A projeção foi atualizada no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de setembro.

Nos 12 meses até julho deste ano, o saldo das transações correntes está negativo em US$ 20,337 bilhões, o que representa 1,30% do Produto Interno Bruto (PIB).

Investimento estrangeiro

O rombo de outubro não foi coberto pelo ingresso de investimentos estrangeiros. Os Investimentos Diretos no País (IDP) somaram US$ 2,493 bilhões em outubro, segundo o BC. No mesmo período do ano passado, o montante havia sido de US$ 3,136 bilhões.

O IDP representa os investimentos produtivos feitos por estrangeiros no País, tanto na construção de novas fábricas quanto na aquisição de participação em companhias em funcionamento.

No acumulado do ano até outubro, o ingresso de investimentos estrangeiros destinados ao setor produtivo somou US$ 45,788 bilhões. A estimativa do BC para este ano é de IDP de US$ 55 bilhões. A projeção foi atualizada no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de setembro.

No acumulado dos 12 meses até outubro deste ano, o saldo de investimento estrangeiro ficou em US$ 49,223 bilhões, o que representa 3,06% do Produto Interno Bruto (PIB).

Gastos em viagens

A conta de viagens internacionais registrou rombo de US$ 265 milhões em outubro, ainda de acordo com o BC. O valor reflete a diferença entre o que os brasileiros gastaram lá fora e o que os estrangeiros desembolsaram no Brasil no período. Em outubro de 2020, o déficit nessa conta foi de US$ 103 milhões.

Na prática, com o dólar mais elevado e a restrição de voos em vários países, os gastos líquidos dos brasileiros no exterior despencaram desde o ano passado. A pandemia de covid-19 ganhou corpo a partir de março de 2020, quando se intensificaram as restrições de deslocamento entre países.

O desempenho da conta de viagens internacionais no mês passado foi determinado por despesas de brasileiros no exterior, que somaram US$ 531 milhões. Já o gasto dos estrangeiros em viagem ao Brasil ficou em US$ 266 milhões no mês passado.

No acumulado do ano até setembro, o saldo líquido da conta de viagens ficou negativo em US$ 1,591 bilhão. No mesmo período do ano passado, o déficit nessa conta foi de US$ 2,132 bilhões.

Estadão
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