Consumo de água cresce 24,9% para cada grau de aumento na temperatura
Estudo do Instituto Trata Brasil correlaciona calor e regime de chuvas à maior demanda por recursos hídricos no período do verão
O aumento da temperatura durante o verão impacta diretamente a demanda por abastecimento de água no Brasil. O fenômeno é registrado com maior intensidade em cidades litorâneas entre o final e o início do ano, devido ao fluxo de turistas. Esse adensamento populacional eleva a pressão sobre as redes de distribuição e os recursos hídricos, podendo causar sobrecarga nos sistemas locais.
Dados do Instituto Trata Brasil indicam que a temperatura máxima é um fator determinante para o gasto de água por habitante. Segundo o levantamento, para cada 1°C adicional na temperatura, o consumo per capita diário sobe 24,9%. Além do calor, o índice de chuvas também altera a dinâmica de oferta: em municípios brasileiros, cada dia extra de precipitação na média mensal está associado a um aumento de 17,4% no consumo individual.
Em função dessas variáveis, cidades em zonas tropicais ou próximas ao litoral apresentam oferta de água superior à de municípios localizados no semiárido. No entanto, o aumento da demanda em áreas de veraneio pode exceder a capacidade da infraestrutura instalada, tornando o racionamento uma medida temporária em regiões onde o sistema não comporta o pico de usuários.
O controle do desperdício é apontado como medida necessária para a manutenção do fornecimento. Ações práticas incluem o fechamento de torneiras em atividades de higiene e limpeza, além da redução do tempo de banho. Tais medidas visam atenuar o impacto sobre as reservas hídricas durante períodos de alta demanda.
No âmbito da gestão pública, o cenário exige planejamento estratégico para a ampliação do saneamento básico e o controle de perdas nas tubulações. O investimento em infraestrutura é o mecanismo indicado para garantir o acesso ao recurso diante de mudanças climáticas que intensificam eventos de calor extremo. A manutenção da qualidade e da disponibilidade de água depende da convergência entre o consumo responsável e políticas públicas de eficiência hídrica.