Conheça o nordestino por trás da criação do Pix e sua defesa da educação financeira
Um nordestino está por trás da criação do sistema de pagamentos instantâneos que revolucionou transferências bancárias no país, o Pix.
Por trás de uma das maiores transformações do sistema financeiro brasileiro nos últimos anos está um cearense nascido em Fortaleza.
O engenheiro e economista Angelo José Mont'Alverne Duarte é um dos nomes ligados ao desenvolvimento do Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central do Brasil que revolucionou transferências bancárias no país.
Formado em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e doutor em Economia pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Angelo construiu carreira no setor público passando pelo Banco Central, Ministério da Fazenda e até pelo escritório do Bank for International Settlements (BIS), conhecido como o "banco central dos bancos centrais".
Em entrevista concedida à ITAEx, ele relembrou a trajetória profissional e falou sobre os bastidores do Pix, criado oficialmente em 2020.
"O foco era o cidadão comum"
Segundo Angelo Duarte, desde o início do projeto a missão da equipe era criar uma plataforma simples e acessível para pequenos empreendedores e pessoas comuns.
Ele afirmou que um dos momentos mais marcantes aconteceu quando um vendedor de coco comentou que o Pix havia facilitado sua rotina de trabalho.
"Ali percebi o impacto real do que estávamos construindo", destacou.
Hoje, o sistema se tornou um dos meios de pagamento mais utilizados do Brasil e referência internacional em pagamentos instantâneos.
Brasil virou referência
Na entrevista, Angelo também afirmou que o avanço tecnológico do sistema financeiro brasileiro ajudou a ampliar a inclusão bancária no país.
Segundo ele, cerca de 90% da população adulta já possui acesso a contas bancárias e meios digitais de pagamento. O economista defende que inclusão financeira e estabilidade econômica não são objetivos opostos e podem caminhar juntos.
Educação técnica e Nordeste
Outro ponto destacado pelo cearense foi a importância da educação técnica no desenvolvimento do país.
Angelo afirmou que o Brasil precisa melhorar a eficiência da educação pública e aproximar o ensino das necessidades reais do mercado de trabalho.
Ele também relembrou o crescimento da presença nordestina no ITA nos anos 1990, quando estudantes do Ceará, Pernambuco e Bahia começaram a conquistar espaço na instituição sem precisar migrar antes para cursinhos do eixo Rio-São Paulo.
Segundo o economista, essa mudança ajudou a abrir caminho para novas gerações de estudantes da região.
Pix em expansão
Mesmo consolidado, o Pix ainda deve ganhar novas funcionalidades nos próximos anos.
Angelo revelou que o Banco Central trabalha em soluções envolvendo pagamentos automáticos, crédito integrado e novas ferramentas digitais para empresas e consumidores.
O objetivo, segundo ele, é continuar ampliando o acesso da população aos serviços financeiros digitais.
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