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Pesquisa revela que saliva do carrapato pode curar câncer

Estudo realizado pelo Instituto Butantan e financiado pela União Química Indústria Farmacêutica aguarda autorização da Anvisa para ser aplicado em humanos

28 out 2014
17h57
atualizado às 20h28
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A União Farmacêutica Nacional, co-titular da patente e dententora do licenciamento para comercialização de um medicamento feito a partir de uma proteína recombinante obtida a partir dos genes da glândula salivar do carrapato, enviará em novembro à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) uma solicitação para que testes possam ser iniciados em seres humanos.

<p>Pesquisador do Instituto Butantan analisa carrapato <em>Amblyoma cajennense</em>, conhecido como carrapato-estrela</p>
Pesquisador do Instituto Butantan analisa carrapato Amblyoma cajennense, conhecido como carrapato-estrela
Foto: Guilherme Lara Campos

Os estudos, feitos por pesquisadores do Instituto Butantan a partir da genética do carrapato Amblyoma cajennense, conhecido como carrapato-estrela, identificaram uma proteína com ação anticoagulante e potencialmente anticancerígena. 

Experiências realizadas em camundongos apontaram redução ou eliminação de tumores do tipo melanoma (câncer de pele), tumores de pâncreas e renais, e a redução de metástases pulmonares, dependendo do número de doses da formulação aplicadas nos animais. 

<p>Carrapato-estrela</p>
Carrapato-estrela
Foto: Dr. Christopher Paddock e James Gathany / CDC

Os pesquisadores observaram também que a substância foi totalmente excretada por animais saudáveis, mas conduzida diretamente ao tumor em animais que tinham câncer. "Isso significa que a saliva do carrapato possui propriedades tóxicas para células tumorais, sem oferecer risco para células saudáveis", explica a coordenadora do estudo e responsável pelo Laboratório de Bioquímica e Biofísica do Instituto Butantan, Ana Marisa Chudzinski-Tavassi. 

Segundo a pesquisadora, o objetivo do estudo é a obtenção de um medicamento capaz de tratar a doença. Após a realização de testes feitos em humanos, os resultados serão submetidos a análises de comitês de ética e ensaios clínicos, antes de chegar ao mercado.

A investigação foi iniciada em 2003 e conta com financiamento da União Química Indústria Farmacêutica, além de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). A expectativa é que o medicamento seja totalmente produzido no Brasil.

Fonte: Terra
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