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Fóssil apreendido pela PF é um dos mais preservados do País

Artefatos foram confiscados no Porto de Santos antes de serem transportados ilegalmente

25 ago 2021 15h44
| atualizado às 15h50
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Um fóssil apreendido em operação da Polícia Federal em Santos, em 2013, revelou-se um dos exemplares mais completos e bem preservados de um pterossauro do gênero Tapejara já encontrado no Brasil.

Nova espécie de réptil voador foi batizada de Tupandactylus navigans
Nova espécie de réptil voador foi batizada de Tupandactylus navigans
Foto: Victor Beccari/Divulgação / Estadão

A descrição da nova espécie de réptil voador, batizada de Tupandactylus navigans, foi publicada nesta quarta-feira, 25, na revista eletrônica PLOS (Public Library of Science). Tem como principal autor o paleontólogo Victor Beccari, da Universidade de São Paulo (USP).

Fósseis de Tapejara são abundantes no Ceará. O subgrupo é conhecido pela enorme crista que caracteriza os seus exemplares. Entretanto, até hoje, a maior parte dos ossos encontrados na região do Crato era do crânio do réptil.

Este pterossauro voador é o primeiro exemplar descrito a apresentar ossos de praticamente todo o corpo do bicho, além de tecidos moles. Isso o torna o fóssil mais completo já encontrado no País.

"Trata-se de um fóssil de extrema importância para a paleontologia brasileira e, por pouco, não perdemos toda essa informação", afirmou Beccari. "Certamente o fóssil teria sido vendido por um preço altíssimo no exterior."

Polícia confiscou fóssil, que foi levado para estudo

O exemplar foi confiscado pela polícia durante uma operação no Porto de Santos. Estava prestes a ser embarcado para o exterior, onde seria vendido ilegalmente a colecionadores. Levado para a USP, pôde ser estudado por especialistas.

A descrição sugere que, diferentemente do que se pensava, o animal, embora alado, passava a maior parte do tempo no chão. A proporção entre o tamanho das asas e dos membros inferiores, além da gigantesca crista, revelou que dificilmente ele conseguiria fazer voos de longa distância.

"Estamos falando de um réptil voador. A primeira coisa que pensamos é que ele estaria voando a maior parte do tempo. Mas, na verdade, ele era meio desengonçado", disse o paleontólogo.

"A descrição mostrou que ele tinha proporções muito estranhas, um pescoço relativamente comprido, uma cabeça enorme, a perna maior do que se esperaria e as asas menores. Além disso, ele não usava a crista para voar, mas sim como um display sexual. A gente acha que ele ficava muito mais tempo no chão e voava apenas para escapar de predadores", acrescentou Beccari.

Estadão
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