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Por que uma sonda japonesa teria detonado explosivos em um asteroide

A agência espacial japonesa quer criar uma cratera artificial no corpo celeste e coletar amostras para estudar a origem e evolução do Sistema Solar.

5 abr 2019
10h54
atualizado às 11h16
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A sonda japonesa Hayabusa-2 parece ter cumprido a missão de detonar explosivos no asteroide Ryugu.

A sonda japonesa Hayabusa-2 parece ter cumprido a missão de detonar explosivos no asteroide Ryugu
A sonda japonesa Hayabusa-2 parece ter cumprido a missão de detonar explosivos no asteroide Ryugu
Foto: BBC News Brasil

O objetivo da Jaxa, agência espacial japonesa, é criar uma cratera artificial no asteroide, localizado a cerca de 290 milhões de quilômetros da Terra.

Se a missão for bem-sucedida, a sonda voltará nas próximas semanas para coletar amostras do corpo celeste, a fim de obter mais informações sobre a origem do nosso planeta no Sistema Solar.

De acordo com a agência de notícias Kyodo News, o sucesso do experimento só será confirmado no fim de abril.

O explosivo, chamado de Small Carry-on Impactor (SCI), é um dispositivo em forma de cone, repleto de explosivos plásticos.

Ele foi lançado pela Hayabusa-2 na última sexta-feira, a uma distância de 500 metros do asteroide.

Após o lançamento, a sonda fez uma manobra para se esconder do outro lado do corpo celeste, se protegendo contra possíveis fragmentos da colisão.

Com cerca de 14 kg, ele foi desenvolvido para perfurar uma cratera de 10 metros de largura no asteroide após o impacto.

Se a detonação tiver sido bem-sucedida, as imagens do momento da explosão devem ter sido capturadas por uma pequena câmera chamada DCAM3, instalada pela sonda.

A câmera foi posicionada para observar o evento a uma distância de cerca de 1 km.

Não está claro, no entanto, quanto tempo levaria para as imagens serem transmitidas para a Terra.

Se tudo correr conforme planejado, a Hayabusa-2 vai voltar nas próximas semanas ao asteroide para coletar amostras da cratera que não foram expostas ao ambiente hostil do espaço.

A expectativa é que o material revele dados vitais que ajudem a explicar como os planetas foram formados nos primórdios do Sistema Solar.

"Esperamos que a precisão do impacto [do SCI] seja algo como um raio de 200m, é muito grande... esperamos ter uma cratera em algum lugar nesta área", explicou Yuichi Tsuda, gerente de projeto da missão, antes do lançamento.

"Vamos tentar encontrar essa cratera artificial duas semanas depois, descendo a uma altitude menor e fazendo extensas observações ."

Veja abaixo um vídeo do SCI sendo testado na Terra:

O asteroide Ryugu é uma rocha espacial particularmente primitiva, conhecida como tipo C. É uma relíquia que restou dos primórdios do nosso Sistema Solar.

Acredita-se que o bombardeio de radiação cósmica ao longo de diversas eras tenha alterado a superfície dos corpos celestes. Então, os cientistas querem obter uma amostra pura, que não tenha sido afetada por esse processo.

Em palestra na 50ª Conferência Anual de Ciência Planetária e Lunar (LPSC, na sigla em inglês), no mês passado, o cientista Sei-ichiro Watanabe, que participa do projeto, afirmou que o experimento também "vai fornecer informações sobre a resistência da camada superficial do Ryugu".

Isso poderia ajudar a esclarecer como o asteroide adquiriu o formato de losango - que o leva a ser comparado a um diamante bruto ou pião.

Os resultados científicos sugerem que o asteroide foi formado a partir de detritos dispersos que se soltaram de um asteroide maior e se juntaram dando origem a um objeto secundário.

Durante o encontro do LPSC, realizado no Texas, nos EUA, Yuichi Tsuda contou como a equipe decidiu onde seria criada a cratera artificial no Ryugu.

"Há dois fatores: o primeiro é formar a cratera onde possamos facilmente identificá-la... ou seja, em um local de fácil observação, não muito duro, nem muito acidentado", afirmou.

"O segundo é que seja um lugar mais factível possível em termos de pouso... se não conseguirmos atender esses dois objetivos, vamos priorizar o primeiro."

Os cientistas podem solicitar que a Hayabusa-2 desça na cratera para coletar as amostras. Mas só vão fazer isso se não houver risco de a sonda colidir com alguma rocha.

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