Uma doença que se curava com casamento: conhecida como "doença das virgens", condição misteriosa afetava jovens mulheres e desapareceu no século 20
Sintomas físicos, interpretações morais e um diagnóstico que diz mais sobre a sociedade do que sobre a doença
Entre os séculos 16 e 19, médicos europeus descreveram uma condição de saúde que afetava principalmente meninas adolescentes e jovens mulheres: palidez intensa, fadiga, apatia, falta de apetite e alterações menstruais. A doença ficou conhecida como clorose, mas ganhou apelidos mais reveladores, como "doença verde", "febre amorosa" ou "doença das virgens". Documentada em pinturas, textos médicos e na literatura, ela foi tratada por muito tempo não como um problema biológico, mas como um desvio do comportamento feminino. O mais intrigante é que, sem nunca ter sido oficialmente erradicada, a doença simplesmente desapareceu no início do século 20.
Conhecida como clorose, a "doença das virgens" reunia sintomas como palidez, apatia e distúrbios menstruais
Descrita em documentos médicos a partir do século 16, a clorose era associada quase exclusivamente a mulheres jovens consideradas "apáticas" ou "melancólicas". Os relatos da época mencionavam um conjunto recorrente de sintomas, como palidez intensa, às vezes descrita como esverdeada, fadiga constante, falta de apetite, palpitações, dificuldade para respirar, inchaço nos tornozelos e ausência de menstruação. Sem tecnologia e conhecimento suficiente para explicar esses sinais, os médicos da época classificaram a condição como uma doença "nervosa", associada ao temperamento e à sexualidade feminina.
Hoje, historiadores da medicina e pesquisadores apontam que esses quadros provavelmente reuniam diferentes condições físicas reais,...
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