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Nova fenda aparece em plataforma na Antártida

Descoberta é feita apenas uma semana depois de desprendimento de iceberg gigantesco na região.

21 jul 2017
12h17
atualizado às 12h29
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Pesquisadores detectaram uma nova fenda na plataforma de gelo Larsen C na Antártida, apenas uma semana depois que um dos maiores icebergs já vistos, de com cerca de 5,8 mil metros quadrados, se desprendeu da plataforma.

Vasta aérea da fenda na calota de gelo Larsen C que originou o iceberg A68
Vasta aérea da fenda na calota de gelo Larsen C que originou o iceberg A68
Foto: Reuters

Cientistas do Projeto Midas, que monitoram a calota de gelo e detectaram o primeiro rompimento, dizem que a nova fenda parece estar se estendendo em direção ao norte.

Eles apontam que, embora essa nova fenda provavelmente se volte para a área costeira da plataforma, criando um pequeno iceberg, existe o risco de ela continuar em direção à elevação de gelo Bawden, um ponto crucial para manter a plataforma estável.

"Vemos uma nova fenda, de cerca de 6 quilômetros, que segue em direção a norte da região complexa de rachaduras, que se formaram antes de o iceberg se desprender", afirma Adrian Luckman, professor de glaciologia da Universidade de Swansea, que lidera a pesquisa do Projeto Midas.

Os pesquisadores continuarão a monitorar a nova fenda e dizem que ainda não há motivo para grande preocupação. Atualmente, a fenda está "parada" em uma região de gelo mais macio.

A nova fenda aparece após a notícia de que um iceberg colossal, chamado A68, se separou da mesma plataforma de gelo Larsen C na semana passada.

O iceberg se encontra agora à deriva no Mar de Weddell, tendo deixado a plataforma de gelo 12% menor.

"Rompimentos de icebergs fazem parte de um ciclo natural e não são motivo de preocupação", diz Bryn Hubbard, diretor do centro de glaciologia da Universidade Aberystwyth e pesquisador da Midas. "Não há nada incomum no fato de um iceberg ser formado a partir de um rompimento."

A neve cai no continente, compactando em gelo, que flui constantemente para o oceano. Como resultado, a plataforma de gelo cresce em média 700 metros por ano. Em algum momento, uma parte se separa, e a plataforma começa a crescer de novo.

Entretanto, problemas podem surgir se a ruptura A68 ou novas fendas fizerem com que a plataforma de gelo Larsen C se torne instável e se desintegre, como Larsen A fez em 1995, seguida pela Larsen B em 2002.

Os cientistas atribuem esses colapsos e o recuo de várias plataformas de gelo antárticas nas últimas décadas ao aquecimento global.

Calotas de gelo marinho são importantes porque contém os glaciais interiores. A preocupação é que, se Larsen C colapsar, o gelo dos glaciais fluirá para o mar, se derretendo e elevando os níveis dos oceanos.

Foto: Deutsche Welle

No entanto, Hubbard diz que os cientistas não estão muito preocupados com uma desintegração da plataforma de gelo Larsen C neste momento. "Você pode esperar alguma instabilidade de curto prazo, considerando que uma grande parte se rompeu", explica.

Ele diz que existe o risco de novas fendas, mas ressalta que "modelos indicam que a plataforma de gelo ainda continuará estável após a formação do iceberg".

Embora a pesquisa sobre mudanças climáticas tenha se desenvolvido até o ponto de ser possível conectar eventos climáticos específicos à probabilidade de terem sido resultado de mudanças climáticas, Hubbard explica que o caso desse iceberg "é um processo completamente normal".

"Não podemos dizer definitivamente se tem ou não a ver com as mudanças climáticas", frisa.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.

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