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"Carta de Deus" de Einstein é leiloada por US$ 2,9 milhões

Manuscrito de 1954 revela sentimentos do cientista sobre o judaísmo e Deus

4 dez 2018
19h35
atualizado em 5/12/2018 às 11h55
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Uma carta escrita pelo físico alemão Albert Einstein em 1954 foi arrematada nesta terça-feira (04/12) por quase 2,9 milhões de dólares num leilão na casa Christie's em Nova York. Concluída em apenas quatro minutos, a venda superou as expectativas de especialistas, que esperavam que o manuscrito atingisse cerca de 1,5 milhão de dólares.

"Essa carta particular, de uma franqueza notável, foi escrita um ano antes da morte de Einstein e permanece sendo a expressão articulada de modo mais completo de sua religiosidade e visões filosóficas", diz um comunicado da Christie's.

A casa de leilões Christie's arrematou a venda da "Carta de Deus" por US$ 2,9 milhões
A casa de leilões Christie's arrematou a venda da "Carta de Deus" por US$ 2,9 milhões
Foto: Shannon Stapleton / Reuters

O documento redigido em alemão é chamado de "Carta de Deus" (Gottesbrief) porque demonstra como Einstein se sentia em relação à caracterização de Deus e do judaísmo na forma como havia sido publicada em um livro de Eric Gutkind sobre o tema. Assim como Einstein, Gutkind era um judeu nascido na Alemanha que fugiu dos nazistas rumo aos Estados Unidos.

"A palavra Deus é, para mim, nada mais do que expressão e produto da fraqueza humana, e a Bíblia, uma coleção de lendas veneráveis, mas ainda assim, bastante primitivas", escreveu Einstein a Gutkind. "Nenhuma interpretação, não importa quão sutil possa ser, poderá (para mim) mudar coisa alguma sobre isso."

O livro de Gutkind Choose life: The biblical call to revolt (Escolha a vida: o chamado bíblico para a rebelião, em tradução livre), de 1952, caracteriza o judaísmo e Israel como entidades eticamente intocáveis.

A "Carta de Deus", escrita por Albert Einstein em 1954
A "Carta de Deus", escrita por Albert Einstein em 1954
Foto: Shannon Stapleton / Reuters

Em sua carta, Einstein diz que, ao mesmo tempo que se identificava como judeu, com orgulho de sê-lo, ele se sentia decepcionado com a religião, que chamou de "superstição primitiva". Ele afirma não acreditar que, se Deus de fato existisse, ele fosse responder a preces individuais ou intervir diretamente em questões humanas.

A "Carta de Deus" esteve nas mãos de herdeiros de Gutkind, que a guardaram até que fosse vendida em um leilão em 2008 por 404 mil dólares. Em 2012, uma tentativa de vendê-la no portal E-bay por 3 milhões de dólares fracassou, o que ficou evidente com a declaração da Christie's de que o vendedor da carta é o mesmo que a adquiriu em 2008.

Os manuscritos de Einstein costumam ser arrematados por valores altos. O item de maior valor até o momento foi uma carta de 1939 enviada pelo cientista ao presidente americano Franklin Roosevelt, vendida em 2002 por 2,1 milhões de dólares.

No documento, ele menciona a "construção de bombas extremamente poderosas", que seria uma descrição do início do Projeto Manhattan, que resultou no desenvolvimento de bombas atômicas pelo governo americano.

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