Volkswagen não anunciou fechamento de fábricas e cortes de empregos no Brasil
POSTAGENS OMITEM QUE PLANO DE REESTRUTURAÇÃO FOI ANUNCIADO NA EUROPA; MONTADORA INFORMOU QUE ATIVIDADES SEGUEM NORMALMENTE EM SOLO NACIONAL
O que estão compartilhando: que a Volkswagen vai demitir 100 mil funcionários e fechar quatro fábricas no Brasil.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. As publicações repercutem uma notícia que não se refere ao Brasil, mas sim a fábricas da Alemanha. A Volkswagen informou que as atividades em solo brasileiro seguem normalmente.
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Saiba mais: no final de junho, veículos internacionais (veja aqui, aqui e aqui) informaram que a Volkswagen planeja cortar até 100 mil empregos e encerrar a produção em quatro fábricas na Alemanha.
A informação passou a ser compartilhada nas redes sociais como se o plano se referisse às operações da empresa no Brasil. Procurada pelo Verifica, porém, a Volkswagen afirmou que as atividades no País seguem normalmente. "O Brasil é o 3º maior mercado em volume de vendas para a marca Volkswagen no mundo, atrás apenas da China e da Alemanha", comunicou, em nota. "No Brasil, a Volkswagen segue com seu plano de investimento de R$ 16 bilhões até 2028 e uma ofensiva de 17 novos carros para o mercado nacional, sendo nove já lançados."
A Volkswagen do Brasil informou que deve trabalhar junto à matriz, na Alemanha, para avaliar a necessidade de ajustes em nível local. Ressaltou, porém, que o plano apresentado pela montadora não tem impacto imediato nas operações da Volkswagen em território nacional.
Atualmente, a Volkswagen tem quatro fábricas no Brasil. Elas estão localizadas em São Bernardo do Campo (SP), São Carlos (SP), Taubaté (SP) e São José dos Pinhais (PR).
Reestruturação é motivada por concorrência chinesa
O plano de redução de empregos e fechamento de fábricas na Alemanha ocorre em um contexto de pressão de concorrentes chineses, tarifas sobre a importação para os Estados Unidos e queda na demanda no mercado europeu. Se realizado, o planejamento poderá representar a maior reestruturação da história da indústria automotiva.
Nesta sexta-feira, 7, a CNBC informou que o principal investidor da Volkswagen solicitou que a empresa tome medidas imediatas para se defender da concorrência de marcas chinesas.
Em entrevista à CNBC em julho, o diretor financeiro da Volkswagen também avaliou a possibilidade de terceirizar parte da capacidade produtiva de fábricas para a indústria de defesa, como forma de evitar o fechamento de unidades. Ele afirmou ainda que a empresa pretende reduzir a estrutura de custos, aumentar a produtividade e ampliar a utilização da capacidade das fábricas. "Se houver opções melhores, obviamente as analisaremos", disse.
Anteriormente, a Volkswagen já havia apresentado planos para cortar 50 mil empregos na Alemanha até o final de 2030. Os cortes foram reduzidos após negociações com sindicatos e representantes dos trabalhadores.
Como lidar com postagens do tipo: para criticar a política econômica do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), publicações têm distorcido ou inventado informações sobre fechamento de fábricas e cortes de empregos. O Verifica já checou boatos semelhantes sobre a Brastemp e Consul, Toyota, Michelin e Gerdau.
Para checar conteúdos similares, é possível fazer uma pesquisa por palavras-chave. Neste caso, buscamos pelos termos "Volkswagen", "demissões" e "fábricas" e encontramos diferentes reportagens sobre o planejamento da empresa para as unidades na Alemanha.
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