Vídeo de explosão em prédio de Tel Aviv foi gerado por IA
MÍDIA FOI ANALISADA POR ESPECIALISTAS E FERRAMENTAS QUE AFIRMAM DETECTAR A TECNOLOGIA; INCONSISTÊNCIAS COMO ILUMINAÇÃO E DETALHES DO BOMBARDEIO REVELAM CARÁTER SINTÉTICO
O que estão compartilhando: um vídeo que mostraria um bombardeio iraniano em um prédio de Tel Aviv, em Israel.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. O conteúdo tem sinais de que foi gerado por inteligência artificial, segundo análise de especialistas e ferramentas que afirmam detectar mídias criadas pela tecnologia.
Leitores solicitaram checagem deste conteúdo por meio do WhatsApp do Verifica, pelo número (11) 97683-7490.
Saiba mais: circula nas redes sociais um vídeo que aparenta mostrar um prédio com um letreiro azul brilhante no topo sendo bombardeado. A mídia parece ter sido gravada durante a noite e a construção parece "derreter" após a explosão. "Isso não é Gaza... É Israel", afirma o texto sobrescrito ao conteúdo.
O vídeo foi republicado por diversos perfis em diferentes redes sociais, como X (antigo Twitter), Instagram, Facebook, YouTube e TikTok. As publicações atribuem o bombardeio ao Irã, um dos países envolvidos na guerra que inclui Estados Unidos e Israel.
No entanto, não há indícios de que a mídia seja uma gravação autêntica. Na realidade, existem evidências de que o conteúdo foi gerado por ferramentas de inteligência artificial.
Segundo análise do consultor em inteligência artificial Pedro Burgos, professor de jornalismo do Insper, a explosão nasce centralizada no topo do prédio, o que indica uma característica de IA. Ele aponta, ainda, que os jatos laterais do bombardeio se abrem em padrões semelhantes dos dois lados. Veja abaixo.
O vídeo foi dividido em 458 frames para ser analisado por Mateus de Pádua Vicente, doutorando do Laboratório de Inteligência Artificial (Recod.ai) do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ele submeteu as imagens no FakeScope, um modelo especializado projetado para detectar imagens geradas por IA e fornecer explicações forenses.
De acordo com Vicente, o programa elencou uma série de inconsistências na mídia. Destacou, por exemplo, que a luz que emana do edifício parece anormalmente brilhante e uniforme, sem variações sutis que são observadas em condições reais. Outra evidência apontada é a perspectiva do prédio distorcida, com ângulos das bordas não alinhados, como estariam em uma estrutura tridimensional verdadeira.
O doutorando ressaltou outras incoerências no contexto do vídeo. Ele destacou que a mídia parece ser gravada de um local próximo ao da explosão, mas, mesmo assim, não existe nenhuma onda de choque que atinge o autor do conteúdo. Disse, ainda, que o impacto do bombardeio no edifício é pouco natural.
"A explosão acaba derrubando todo o prédio, o que não é muito comum de se ver em guerras ou ataques. Geralmente, ataques com mísseis fazem um buraco na estrutura, derrubam algumas partes do prédio, mas não consegue afetar completamente a estrutura que coloca ele inteiro abaixo", analisou.
A reportagem também submeteu o conteúdo ao HiveModeration, ferramenta que afirma detectar uso de inteligência artificial em mídias. A análise apontou que há 73.6% de chance de o vídeo ter sido gerado pela tecnologia. Veja abaixo.
Nesta quarta-feira, 1, Israel e Irã mantiveram ataques mútuos, antes do discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o primeiro mês de guerra. O exército israelense confirmou uma "onda de ataques em grande escala" contra Teerã, capital iraniana, e afirmou também estar interceptando mísseis lançados a partir do país persa.
No mesmo dia, pela noite, Trump afirmou que a guerra com o Irã terminará "em breve". Ele disse, no entanto, que o ritmo dos bombardeios americanos não irá diminuir: "Estamos muito perto do fim da guerra. Vamos atingi-los com extrema força nas próximas duas ou três semanas".
Como lidar com postagens do tipo: em cenários de guerra, é comum que circulem mídias sintéticas nas redes sociais. Segundo o jornal The New York Times o Irã tem usado inteligência artificial na TV e nas redes sociais para criar narrativas sobre a guerra contra os Estados Unidos e Israel. Por isso, é importante ter cautela com imagens atribuídas ao conflito que não citam fontes confiáveis.