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Vídeo antigo sobre delação de Marcos Valério circula fora de contexto para acusar Lula

GRAVAÇÃO COMPARTILHADA NAS REDES OMITE QUE TRECHO FOI EXIBIDO EM 2019 E DESCONSIDERA INVESTIGAÇÕES QUE DESCARTARAM O ENVOLVIMENTO DO PETISTA NO CRIME

4 ago 2026 - 09h43
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O que estão compartilhando: um vídeo com trecho de uma reportagem sobre a delação do empresário Marcos Valério a respeito do assassinato de Celso Daniel, prefeito de Santo André. O conteúdo circula com a legenda de "bomba" e traz a declaração de que o presidente Lula teria sido o mandante do crime.

Gravação compartilhada nas redes omite que trecho foi exibido em 2019 e desconsidera investigações que descartaram o envolvimento do presidente no crime
Gravação compartilhada nas redes omite que trecho foi exibido em 2019 e desconsidera investigações que descartaram o envolvimento do presidente no crime
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. A publicação que circula nas redes sociais omite que o trecho compartilhado foi exibido originalmente em 2019, no programa Domingo Espetacular, da Record. O uso da legenda "bomba" induz o público a acreditar que se trata de uma revelação recente. A desinformação envolvendo o caso Celso Daniel ganhou forte repercussão durante o período eleitoral de 2022, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a aplicação de multas e a remoção de publicações que vinculavam o atual presidente ao assassinato do prefeito.

Em nota enviada ao Verifica, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) reiterou que as alegações são falsas e buscam manipular a opinião pública. Esse tipo de conteúdo também já foi desmentido por veículos de checagem como Reuters, AFP e Projeto Comprova.

Saiba mais

O assassinato de Celso Daniel ocorreu em janeiro de 2002. As investigações da Polícia Civil e do Ministério Público concluíram que o prefeito foi sequestrado e morto por criminosos comuns. Embora teorias sobre disputas partidárias e corrupção tenham surgido ao longo dos anos, os inquéritos e processos judiciais encerrados não apontaram o envolvimento do presidente Lula nem da cúpula do PT no homicídio.

Durante a eleição presidencial de 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ampliou sua atuação para barrar a disseminação de notícias falsas nas redes sociais. Entre as publicações removidas, destacavam-se as que vinculavam o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva ao assassinato de Celso Daniel.

O TSE entendeu que as acusações se apoiavam em recortes descontextualizados e notícias antigas para construir uma narrativa falsa perante o eleitorado, determinando a remoção do material das redes sociais. Nas decisões liminares, o tribunal enquadrou essas postagens como "sabidamente inverídicas", critério jurídico que permite a rápida retirada de conteúdos que propagam mentiras evidentes com o intuito de atingir a honra de um candidato e comprometer a integridade do processo eleitoral.

Para assegurar o cumprimento das medidas, o TSE expediu ordens urgentes às plataformas digitais para a exclusão de dezenas de URLs, sob pena de multa diária de até R$10 mil. Além disso, determinou que políticos, parlamentares e influenciadores digitais que haviam compartilhado a desinformação apagassem as postagens e se abstivessem de replicar o tema.

Estadão
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