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Tápio 2025: Exercício militar americano ocorre desde 2018 sob comando da FAB

POST DISTORCE OBJETIVO DE AÇÃO CONJUNTA COM O BRASIL PARA SUGERIR DISTANCIAMENTO DAS FORÇAS ARMADAS COM O PRESIDENTE LULA

4 ago 2025 - 17h10
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O que estão compartilhando: vídeo diz que as Forças Armadas teriam comunicado "oficialmente" que estão ao lado dos Estados Unidos e contra o Brasil na escalada de tensão entre os dois países. O vídeo diz que os EUA enviaram dois aviões com militares, para Campo Grande (MS), como forma de sinalizar apoio às Forças Armadas. O vídeo segue dizendo que o comunicado "gerou revolta" no Supremo Tribunal Federal (STF) e no presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Foto: Reprodução/Facebook / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. Militares americanos desembarcaram, no Brasil, para participar de um exercício internacional programado (Tápio 2025). Esse tipo de evento já aconteceu anteriormente no governo Lula. Não há nenhum comunicado público das Forças Armadas brasileiras rompendo com o presidente.

O autor do post foi procurado, mas não respondeu até o fechamento deste texto.

Saiba mais: o vídeo postado no Facebook soma 3 mil reações até a publicação desta checagem. Ele cita uma operação verdadeira, mas distorce o objetivo do exercício militar para fazer parecer que haveria rompimento entre as Forças Armadas e o presidente Lula. Um texto sobreposto ao vídeo insinua que o acordo entre os Exércitos do Brasil e dos EUA se assemelha ao ocorrido em 1964. É uma referência ao golpe militar que depôs o presidente João Goulart e instaurou uma ditadura. Documentos históricos revelam que os Estados Unidos estavam preparados para prestar apoio logístico aos golpistas.

O que é a Operação Tápio 2025

Os militares desembarcaram em Mato Grosso do Sul para participar do Exercício Conjunto Tápio (EXOP Tápio), um dos principais treinamentos militares realizados no Brasil. Trata-se de um treinamento conjunto internacional para simular cenários de guerra irregular, guerra eletrônica, missões de paz e apoio humanitário. Ele é coordenado pela Força Aérea Brasileira (FAB) e ocorre a cada dois anos, desde 2018, na Base Aérea de Campo Grande.

Este ano, os Estados Unidos enviaram dois aviões militares cargueiros, modelo Boeing C-17 Globemaster III, que pertencem à Guarda Aérea Nacional de Nova York. Os dois aviões, que chegaram ao Brasil no dia 28 de julho, trazem helicópteros e outros equipamentos para o treinamento. Eles ficam no País até 16 de agosto.

Já as aeronaves brasileiras utilizadas serão o A-29 Super Tucano, o A-1 AMX, o C-105 Amazonas e o C-130 Hércules, além de helicópteros H-36 Caracal, H-60 Black Hawk.

Não é a primeira vez que militares americanos participam de operações como o Tápio. Em 2023, já no governo Lula, houve a edição anterior do exercício militar. Em maio de 2024, um navio americano aportou no Rio de Janeiro para colaborar com o combate a crimes marítimos. Um ano depois, o comandante do Comando do Sul visitou o Brasil para conversar com o ministro da Defesa, José Múcio, e os comandantes das Forças.

Forças Armadas não romperam com o governo federal

Não existe comunicado oficial público de racha entre as Forças Armadas e o governo Lula. O vídeo chega a citar entrevistas de militares à CNN Brasil em que teriam dito que um rompimento do Brasil com os EUA é inaceitável. O teor da entrevista foi distorcido.

Em 29 de julho, a CNN Brasil publicou que fontes militares temem o impacto na defesa nacional de uma escalada nas sanções econômicas dos Estados Unidos ao Brasil. O presidente americano, Donald Trump, já anunciou uma tarifa de 50% a determinados produtos brasileiros.

A reportagem não adota um tom de rompimento entre Forças Armadas e governo brasileiro, nem cita o tarifaço como causa. As autoridades ouvidas disseram que as Forças Armadas do Brasil e EUA são "amigas" e que, no momento, "não há grandes indícios de uma escalada que possa comprometer a relação". Elas destacaram que tanto Lula quanto Trump são "imprevisíveis".

O Ministério da Defesa foi procurado, mas não se manifestou.

Superior Tribunal Militar declarou apoio ao STF

Também não é verdade que haveria publicamente uma "revolta" no STF. No último dia 14 de julho, o presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, divulgou uma carta "em defesa da Constituição, da democracia e da Justiça", depois do tarifaço de Trump.

"O julgamento ainda está em curso", escreveu Barroso, sobre a ação contra diversos réus, incluindo Jair Bolsonaro. O ministro falou que a Procuradoria Geral da República denunciou o ex-presidente com base em indícios de crime. "O STF vai julgar com independência e com base nas evidências. Se houver provas, os culpados serão responsabilizados. Se não houver, serão absolvidos. Assim funciona o estado democrático de direito."

No mesmo dia, a presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Rocha, manifestou "irrestrita solidariedade" e "pleno apoio" aos termos da carta de Barroso.

"A realidade ora vivenciada pela sociedade brasileira, bem assim as situações de tensionamento provocadas por descabidas e inéditas intromissões externas na vida do nosso país, estavam a reclamar uma posição firme e corajosa do Poder Judiciário brasileiro, que tem o direito, constitucionalmente assegurado, de proteger a soberania nacional, o pleno funcionamento da democracia, a independência e livre manifestação dos Poderes da República, bem como garantir a inviolabilidade dos direitos fundamentais do seu povo", diz a nota.

Estadão
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