Silas Malafaia questionou orçamento de 'O Agente Secreto', não de filme sobre Jair Bolsonaro
PUBLICAÇÃO NO INSTAGRAM CITA FALSA CRÍTICA A FILHO DO EX-PRESIDENTE AO TIRAR DE CONTEXTO GRAVAÇÃO EM QUE O PASTOR SE REFERIA AO ATOR WAGNER MOURA
O que estão compartilhando: vídeo no qual o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, aparece dirigindo questionamentos a uma pessoa, cujo nome não é citado. Ele pergunta quanto ela teria recebido de "grana dos contribuintes brasileiros" para fazer um filme. A legenda da postagem diz que Malafaia teria gravado o vídeo para criticar o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por ter pedido dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para a realização do filme que aborda a história do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. O post verificado tira de contexto o trecho de um vídeo em que Malafaia se manifestava sobre um processo movido pelo ator Wagner Moura contra ele. No recorte exibido na publicação, o pastor questiona quanto o artista recebeu para atuar no filme O Agente Secreto e afirma que o valor pago a ele teria vindo de recursos públicos. Não há registros de que Malafaia tenha criticado Flávio Bolsonaro por diálogos com Vorcaro. Em uma publicação recente nas redes sociais, o religioso afirmou que não vai julgar o senador com base em "vazamentos seletivos".
Saiba mais: O vídeo em que Malafaia comenta sobre o processo movido por Moura tem quase três minutos e foi publicado originalmente no YouTube há um mês. O Verifica encontrou a peça original graças a uma busca reversa de imagens (veja aqui como fazer).
O trecho usado na peça enganosa aparece entre 1m47s e 2m02s do vídeo original. Nele, Malafaia questiona Moura: "Quanto você recebeu? Diz em público, o dinheiro que você recebeu para fazer o filme tem grana dos contribuintes brasileiros e de outros, mas tem grana e você sabe muito bem quem…".
O filme O Agente Secreto custou R$ 28 milhões, divididos entre Brasil, França, Alemanha e Holanda. No País, R$ 7,5 milhões saíram do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e outros R$ 6 milhões vieram de recursos privados (confira aqui). Não houve uso da Lei Rouanet. A lei de fomento não pode ser usada para financiar longa-metragens.
O recorte de 15 segundos omite o contexto da fala para sugerir que a declaração teria sido direcionada a Flávio, e não ao ator. Na verdade, o pastor questionava Moura sobre a origem dos recursos utilizados na produção e no pagamento por sua atuação no filme, indicado ao Oscar 2026 em quatro categorias.
Conforme noticiado por veículos de imprensa (aqui e aqui), o artista entrou com um processo na Justiça do Rio de Janeiro contra Malafaia após o pastor publicar xingamentos nas redes sociais quando foi indicado ao Oscar na categoria de Melhor Ator.
Moura pede uma indenização de R$ 100 mil por postagens em que o religioso o chama de cretino e afirma que ele teria se beneficiado do dinheiro público na produção do filme.
Malafaia diz que não vai julgar Flávio por 'vazamentos seletivos'
Flávio Bolsonaro negociou até R$ 134 milhões para custear o filme Dark Horse, que retrata a vida do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A produtora GoUp, responsável pela realização do longa, informou que a obra já custou R$ 65,7 milhões e que 90% do gasto foi bancado por Vorcaro.
Malafaia publicou um vídeo em suas redes sociais no qual comentou a relação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro. Ele disse que não fará juízo de valor nem julgar o senador com base em "vazamentos seletivos".
"Eu sou vítima dessa porcaria. Vazaram conversas minhas particulares com Bolsonaro para me denegrir diante da opinião pública", disse o pastor.
O episódio citado pelo pastor sobre o vazamento de mensagens trocadas com o ex-presidente se refere a áudios obtidos pela Polícia Federal a partir do celular de Bolsonaro, apreendido em agosto do ano passado. Nas gravações, Malafaia chama o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) de "babaca" e ameaça "arrebentar" com ele. O motivo da irritação era uma declaração do deputado sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
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