Não existe investigação do FBI sobre possível armação para a Argentina ganhar a Copa do Mundo
CASO ESTÁ EM ANDAMENTO DESDE 2025 E NÃO TEM RELAÇÃO COM A PRESENÇA DO PAÍS NO TORNEIO; ALVO SÃO OPERAÇÕES FINANCEIRAS SUSPEITAS QUE ENVOLVEM FEDERAÇÃO DE FUTEBOL E EMPRESAS PARCEIRAS
O que estão compartilhando: que Departamento Federal de Investigação dos EUA (FBI) teria aberto uma investigação contra a Associação do Futebol Argentino (AFA) por suspeita de fraude e lavagem de dinheiro. O caso teria relação com uma suposta operação armada para fazer a Argentina ganhar a Copa do Mundo, o que pode fazer o país ser eliminado do torneio.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. O FBI apura desde 2025 suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro pela AFA em operações financeiras nos EUA. A fase de depoimentos começou em meio à Copa. Mas não há relação alguma deste episódio com um "esquema" para favorecer a Argentina no torneio em cumplicidade da Federação Internacional de Futebol (Fifa), como alegam algumas postagens.
Saiba mais: a postagem no Facebook checada pelo Verifica tem 6,5 mil curtidas, 1,2 mil compartilhamentos e 795 comentários. É dito que a seleção da Argentina, em razão dessa revelação, foi desmascarada e poderá ser "escorraçada" do Mundial.
Mas não existe nenhuma informação oficial que valide esta alegação nos canais oficiais de informação da AFA, do FBI e da Fifa. A Argentina segue em campo e disputa vaga na semifinal da Copa neste sábado, 11, contra a Suíça, em Kansas City.
De acordo com o jornal argentino La Nación, procuradores do Departamento de Justiça e agentes do FBI começaram a tomar depoimentos para entender como a AFA, sob presidência de Claudio "Chiqui" Tapia, operou em território americano centenas de milhões de dólares. Eles apuram se algumas dessas operações podem ter resultado em crimes como lavagem de dinheiro ou fraude do sistema bancário local.
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O principal alvo da investigação é a empresa TourProdEnter LLC; que movimentou US$ 260 milhões em contas de cinco bancos americanos. Esta companhia administra contratos comerciais internacionais da AFA, incluindo acordos com grandes marcas do esporte e do entretenimento. Os investigadores destacam que apenas parte dessa quantia está devidamente identificada. Buscam saber também a origem e o destino de mais US$ 57 milhões movimentados.
O empresário Guillermo Tofoni, autor da denúncia que originou a investigação, já foi ouvido por videoconferência. As autoridades americanas avaliam também chamar para depor atuais e ex-integrantes do governo argentino.
O La Nación destaca em sua apuração que o interesse dos EUA nas operações financeiras da AFA vem desde setembro de 2024, quando foi alertado pelo governo argentino sobre potenciais riscos em operações da AFA. À época, o FBI avaliou que não haviam indícios suficientes para justificar a abertura de uma investigação criminal nos EUA. A situação mudou quando o La Nación começou a revelar em reportagens que a AFA mantinha uma rede de transações financeiras, bancárias e corporativas no estado da Flórida.
Desempenho da Argentina na Copa alimenta desinformação
Os boatos sobre suposta "armação" da Fifa para favorecer a Argentina na Copa ganharam corpo após as vitórias em partidas muito disputadas contra Cabo Verde e Egito.
O chefe do Comitê de Arbitragem da Fifa, Pierluigi Collina, defendeu a atuação dos juízes na Copa e criticou os questionamentos feitos contra a integridade dos árbitros. Collina afirmou que o Comitê não recebe interferências políticas nas decisões.
Outra peça de desinformação que circula nas redes sociais sobre esse tema é um vídeo que mostraria o presidente da Fifa, Gianni Infantino, lamentando o segundo gol da seleção do Egito na partida contra a Argentina, nas oitavas de final. Como mostrou o Estadão Verifica, a alegação é enganosa. As imagens mostradas sem contexto foram registradas em outro jogo, entre Marrocos e Holanda, disputado em 29 de junho, no México.
Este conteúdo também foi chegado por Aos Fatos.
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