Rejeição de Lula em pesquisa Atlas Intel de abril era de 50%, não de 86%
DENTRE OS PARTICIPANTES QUE DISSERAM QUE NÃO VOTARIAM NO PRESIDENTE 'DE JEITO NENHUM', 86% CITARAM CORRUPÇÃO COMO PRINCIPAL MOTIVO
O que estão compartilhando: que 86% rejeitam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por causa da corrupção.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. Na verdade, 50% rejeitavam o presidente, de acordo com uma pesquisa Atlas Intel divulgada em 1º de abril. Dentro desse porcentual, 86% citavam a corrupção como principal motivo para não votar em Lula. As postagens analisadas mostram apenas uma trecho de uma transmissão ao vivo da CNN Brasil, omitindo esse contexto.
Saiba mais: As postagens compartilham um dado descontextualizado de uma pesquisa encomendada pela consultoria Arko Advice à Atlas Intel. O levantamento foi feito por meio digital entre 16 e 23 de março deste ano. Na pesquisa, 4.224 brasileiros adultos responderam às questões por meio de navegação na web. A maior parte da amostra era formada por mulheres, com idade entre 45 e 59 anos, renda familiar de R$ 5 mil a R$ 10 mil, ensino médio completo e da região Sudeste.
A margem de erro foi de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com índice de confiança de 95%. O objetivo da pesquisa era investigar as raízes da rejeição dos principais pré-candidatos à Presidência da República na ocasião. Além de Lula (PT), há dados detalhados para Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD).
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O que as pessoas disseram sobre os pré-candidatos?
Os participantes foram questionados sobre quais as chances de votar em determinado político. As opções eram: "de jeito nenhum", "dificilmente", "não teria problema em votar", "considero votar", "com certeza votaria" ou "não conheço".
Nessa pergunta, o presidenciável com o maior percentual de pessoas que não votariam de jeito nenhum foi Renan Santos (Missão), com 60%. Em seguida, vinham Eduardo Leite (PSD), com 55%, Fernando Haddad (PT), com 52% e Michelle Bolsonaro (PL) com 51%. Lula e Jair Bolsonaro aparecem com a mesma taxa de rejeição (50%), enquanto Flávio Bolsonaro tem a mesma rejeição de Nikolas Ferreira (PL) e Romeu Zema (Novo): 49%.
Ou seja, não é verdade que 86% dos brasileiros rejeitam Lula, e sim que 50% dos entrevistados disseram que não votariam nele de jeito nenhum.
A esses 50%, a pesquisa perguntou quais motivos para não votar no atual presidente. A principal razão apontada foi ser "envolvido/conivente com corrupção", escolhida por 85,9% das pessoas que não votariam no petista em hipótese alguma.
Os outros principais motivos citados foram:
"quer a população dependente do Estado" (45,7%); "representa um projeto de poder autoritário/antidemocrático" (33,2%); "não foi um bom presidente" (29,9%); "não prioriza os verdadeiros problemas do País" (21%).
Esses cinco principais motivos foram mostrados na transmissão ao vivo da CNN, mas não aparecem nas postagens enganosas.
Sobre Flávio Bolsonaro, o principal motivo para as pessoas não votarem nele de jeito nenhum é não querer "um governo parecido com o de Jair Bolsonaro" (74,4%). Depois, foram citados:
"envolvido/conivente com corrupção" (62,7%); "representa um projeto de poder autoritário/antidemocrático" (47,2%); é "oportunista/age por conveniência" (31,5%)"não prioriza os verdadeiros problemas do País" (28,8%). Pesquisa apontou perfil dos entrevistados
Os entrevistados foram questionados sobre posição ideológica, partido de preferência, meios de comunicação que mais usam para se informar sobre política e atributos importantes para um presidenciável ideal. A maior parte do eleitorado (36,6%) se identificou como sendo de direita, seguido dos de esquerda (25,9%), centro-esquerda (17%), centro-direita (8,5%) e centro (3%). Os que não sabiam ou não tinham uma linha ideológica foram 8,7%.
Sobre o partido de preferência, os entrevistados responderam:
27%: PL;25,4%: PT;8,3%: PSOL; 5,9%: Missão; 3,8%: Novo;1,4%: PSB.
Outros partidos tiveram menos de 1%, enquanto 23,7% responderam não ter um partido de preferência.
Sobre os meios que mais usam para se informar sobre política, os entrevistados puderam indicar três opções. As mais citadas foram:
Instagram (67,1%); sites de notícias (54,8%); YouTube (39,3%); TV aberta (25,8%);TV por assinatura (20,1%);Twitter/X (15,3%); Facebook (14,9%); TikTok/Kwai (9,4%); WhatsApp (7,9%); conversas com amigos e familiares (7,7%);rádio (5,4%);jornais impressos (3,9%).
Os três principais atributos citados para um presidenciável ideal foram "competência/bom administrador" (63,2%), "honestidade" (42,3%) e "compromisso com o povo" (40,6%).
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