É falso que seleção francesa não tenha jogadores nascidos na França
APENAS TRÊS ATLETAS CONVOCADOS PARA A COPA DO MUNDO 2026 NÃO NASCERAM NO PAÍS; TODOS TÊM NACIONALIDADE FRANCESA E CUMPREM AS REGRAS DA FIFA
O que estão compartilhando: vídeo alega que nenhum jogador da seleção francesa da Copa do Mundo de 2026 nasceu na França.
O Estadão Verifica checou e concluiu que: é falso. Dos 26 atletas convocados para o time francês na Copa do Mundo de 2026, apenas três não nasceram no país: Brice Samba, que nasceu na República do Congo, Michael Olise, na Inglaterra, e Marcus Thuram, na Itália. Todos eles têm nacionalidade francesa e cumprem os critérios de elegibilidade da Federação Internacional de Futebol (Fifa).
Saiba mais: Um vídeo com mais de 770 mil visualizações no TikTok compartilhou a alegação falsa de que "nenhum" dos jogadores da seleção francesa na Copa do Mundo nasceu na França. O conteúdo exibe uma foto que atribui a todos os atletas bandeiras de países africanos.
O Verifica acessou a lista oficial da Fifa e consultou os convocados para o time da França para a Copa do Mundo de 2026 (aqui). A partir dos nomes, pesquisamos o local de nascimento de cada um dos atletas no site da Federação Francesa de Futebol (aqui).
As regras da Fifa determinam que cada país poderia inscrever 26 atletas na competição. No caso da seleção francesa, 23 nasceram na França, com apenas três exceções: Brice Samba, Michael Olise e Marcus Thuram.
Veja a lista dos jogadores da França, com as cidades de nascimento:
Goleiros, uma exceção: Brice Samba nasceu em Linzolo, na República do Congo; Mike Maignan é de Caiena, na Guiana Francesa, um território ultramarino francês; Robin Risser é de Colmar, França. Defensores, todos nasceram na França: Lucas Digne, de Meaux; Malo Gusto, de Décines-Charpieu; Lucas Hernandez e Théo Hernandez, de Marselha; Ibrahima Konaté e Jules Koundé, de Paris; Maxence Lacroix, de Villeneuve-Saint-Georges; William Saliba, de Bondy; Dayot Upamecano, de Évreux. Meio-campistas, todos nasceram na França: N'Golo Kanté, de Paris; Manu Koné, de Colombes; Adrien Rabiot, de Saint-Maurice; Aurélien Tchouaméni, de Rouen; Warren Zaire-Emery, de Montreuil; Maghnes Akliouche, de Tremblay-en-France; Rayan Cherki, de Pusignan. Atacantes, duas exceções: Michael Olise nasceu em Londres, na Inglaterra, e Marcus Thuram, em Parma, na Itália. Bradley Barcola, é de Lyon; Ousmane Dembélé, de Vernon; Désiré Doué, de Angers; Jean-Philippe Mateta, de Sevran; Kylian Mbappé, de Paris.
Vários desses atletas têm ascendência africana, como Mbappé, que é filho de mãe argelina e pai camaronês. A França colonizou diferentes países da África, como Camarões, Argélia e Senegal. Essa ocupação levou ao fluxo migratório entre as antigas colônias e a metrópole nas últimas décadas, devido à proximidade linguística e política.
Mbappé é alvo de racismo
Desde o anúncio da convocação da seleção francesa para a Copa do Mundo, circulam nas redes sociais conteúdos questionando a nacionalidade dos jogadores do time.
Na última segunda-feira, 6, a Federação Francesa de Futebol anunciou um processo jurídico contra a senadora paraguaia Celeste Amarilla devido a declarações racistas contra o atleta Mbappé.
Após a partida em que a França eliminou a seleção do Paraguai com placar de 1x0, Celeste chamou o futebolista de "camaronês colonizado que finge ser francês" e disse que ele "cresceu chupando cocos e ouvindo chimpanzés".
Mbappé reprovou o racismo da senadora em suas redes sociais. "Senhora Celeste Amarilla, a senhora é uma mulher desprezível e indigna do cargo que ocupa. A senhora não representa o Paraguai, esse país que transpirou paixão e honra ao longo de toda a competição", afirmou.
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