Ex-procurador-geral do INSS afastado após operação da PF foi indicado nos governos Bolsonaro e Lula
VIRGÍLIO ANTÔNIO RIBEIRO HAVIA SIDO NOMEADO EM 2019 ANTES DE RETORNAR AO CARGO EM 2023; POSTAGEM ENGANA AO ATRIBUIR NOMEAÇÃO SOMENTE AO ATUAL PRESIDENTE
O que estão compartilhando: que um diretor indicado pelo governo Lula em 2023 autorizava repasses milionários e ilegais no esquema de fraude no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), informação que teria sido revelada durante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho foi nomeado para o cargo de procurador-geral do INSS pela primeira vez em 2020, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e permaneceu no cargo até 2022, quando passou a atuar como consultor jurídico do Ministério do Trabalho e Previdência. Em setembro de 2023, já na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Virgílio foi renomeado para a Procuradoria-Geral do INSS. Ele foi afastado recentemente a pedido da Polícia Federal (PF) em decorrência da operação que investiga desvios de R$ 6,3 bilhões de aposentadorias entre 2019 e 2024.
Na CPMI do INSS, o advogado Eli Cohen afirmou que o servidor autorizava as remessas de dinheiro para as associações e era o elo com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". A afirmação pode ser conferida a 1h21min do depoimento.
Saiba mais: A PF afirma que o ex-procurador teria obtido um incremento patrimonial de R$ 18,3 milhões em decorrência da chamada "farra do INSS". Segundo as investigações, ele teria incorporado ao patrimônio da família um Porsche de um lobista, transferido para o nome de sua esposa.
De acordo com a PF, Virgílio atuou formalmente para barrar o bloqueio de descontos em folha de aposentados e pensionistas. A medida havia sido determinada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) após auditoria. O ex-procurador justificou que a trava poderia ampliar as filas de "idosos e pessoas de baixa instrução" nas agências da Previdência.
Em recurso apresentado ao TCU, ele alegou que o perfil da maioria dos beneficiários, idosos e pessoas com baixa escolaridade, resultaria em intenso fluxo de segurados às agências. Também afirmou que o bloqueio automático de novos descontos de empréstimos consignados representaria "risco concreto de colapso" nos demais atendimentos presenciais prestados pelo INSS, citando mais de 27 milhões de contratos ativos.
A primeira fase da operação da PF que revelou o esquema levou ao afastamento de Virgílio, à queda do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e colocou o então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, sob pressão. Lupi deixou o cargo em maio e deve depor à CPMI na segunda-feira.
A investigação apura um esquema bilionário de fraudes em aposentadorias, com desvios estimados em R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.