Eduardo Bolsonaro omite trechos de análise do 'The New York Times' sobre julgamento do pai
DEPUTADO PUBLICOU PRINT QUE OMITE PARÁGRAFOS DE TEXTO PUBLICADO PELO JORNAL AMERICANO E FOI CORRIGIDO POR JORNALISTA AUTOR DA MATÉRIA; PARLAMENTAR FOI PROCURADO, MAS NÃO RESPONDEU
O que estão compartilhando: postagem do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirma que "nem mesmo o The New York Times, identificado com a esquerda, consegue esconder os abusos de [Alexandre de] Moraes". A publicação mostra um trecho de um texto de análise do jornal americano, com críticas à atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O Estadão Verifica checou e concluiu que: é enganoso. O deputado compartilhou no domingo, 31, um print adulterado, excluindo trechos da análise completa publicada pelo The New York Times (veja aqui). O jornalista Jack Nicas, um dos autores da análise, respondeu Eduardo sinalizando a omissão de parágrafos feita pelo parlamentar. Em um dos trechos omitidos pelo deputado, o julgamento contra Bolsonaro é descrito como um "triunfo da democracia" para muitos brasileiros e americanos.
Eduardo foi procurado, mas não respondeu.
Saiba mais: a análise completa, com o título "Dilema Democrático do Brasil: Como Processar um Presidente" (traduzido do inglês), foi publicada pelo jornal The New York Times em 29 de agosto. O texto é assinado pelos repórteres Jack Nicas e Ana Ionova.
Em suas redes sociais, Eduardo Bolsonaro compartilhou trechos do artigo, sinalizando que "nem mesmo o The News York Times, identificado com a esquerda, consegue esconder os abusos de Moraes". O parlamentar, contudo, cortou textos da análise original.
Na publicação feita no X, Eduardo apagou parágrafos da introdução e outros trechos que estavam na análise, deixando em evidência apenas frases mais críticas à Corte. O artigo completo descreve o papel do Supremo no julgamento do ex-presidente e aliados por tentativa de golpe de Estado.
O jornalista Jack Nicas, que é chefe do The Times no Brasil, respondeu o deputado no post. Ele disse que "infelizmente, o Eduardo omitiu várias partes nesta postagem". O artigo pode ser acessado aqui.
Análise do The New York Times faz críticas a Bolsonaro e ao Supremo
Na colagem de parágrafos publicada no X, Eduardo destacou o trecho em que o jornal americano cita que o STF "concedeu a si mesmo poderes extraordinários para enfrentar o que considerava uma ameaça extraordinária representada por Bolsonaro e seus ataques às instituições".
Porém, ele omitiu os primeiros parágrafos da análise, que informa sobre o julgamento contra Bolsonaro, com início nesta semana, e cita que "muitos brasileiros — e muitos americanos assistindo de longe — veem este momento como um triunfo da democracia".
Logo depois, o texto compara as tentativas de golpe no País e nos Estados Unidos, em um trecho cortado pelo deputado: "O Brasil, que emergiu de uma ditadura brutal há apenas 40 anos, terá conseguido algo que os Estados Unidos não conseguiram: levar um ex-presidente a julgamento por acusações criminais de que ele tentou se agarrar ao poder após perder uma eleição".
Eduardo também inseriu na colagem o parágrafo do The Times dizendo que "em resposta, Moraes ordenou invasões, censurou contas on-line, bloqueou redes sociais e, em alguns casos, prendeu pessoas em julgamento". Mas omitiu o trecho que vinha antes desse.
"Durante o período em que Bolsonaro liderou o País, de 2019 a 2022, o presidente e seus apoiadores ameaçaram juízes, questionaram eleições, sugeriram um golpe militar e desencadearam uma onda de falsidades disseminadas pela internet", escreveram os jornalistas.
Eduardo é investigado por atuação nos EUA
Eduardo Bolsonaro é alvo de um inquérito no Supremo, sob a relatoria de Alexandre de Moraes, por tentativa de coação no processo em que seu pai é réu por tentativa de golpe de Estado. O pedido foi da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Eduardo está há meses nos EUA e disse que busca por mais sanções do governo de Donald Trump contra o Brasil. Segundo a Polícia Federal, ele articula represálias contra autoridades brasileiras.
Começou nesta terça-feira, 2, o julgamento do ex-presidente e de sete de seus aliados. Os oito serão julgados pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) na ação penal por tentativa de golpe de Estado em sessões até o dia 12 de setembro.
A tradução de trechos em inglês foram conferidos com ajuda da Leia, a inteligência artificial do Estadão.