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Com Artemis II, teoria de que homem nunca pisou na Lua volta às redes; entenda por que isso é falso

POSTAGENS APROVEITAM DIVULGAÇÃO DA MISSÃO DA NASA PARA QUESTIONAR VIAGENS LUNARES FEITAS ENTRE 1969 E 1972; VEJA OS FATOS SOBRE O FEITO HISTÓRICO

10 abr 2026 - 16h35
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Se o homem foi à Lua pela primeira vez em 1969, por que só agora estão retornando para lá? E mais: por que não pousaram na Lua desta vez, se já saberiam como fazê-lo? Por que tanto tempo de preparação? Os questionamentos envolvendo a Artemis II dão base a diversas postagens nas redes sociais que, diante da atual missão da Nasa, voltam a pôr dúvidas sobre a primeira viagem lunar, feita há pouco mais de cinco décadas.

A missão Apollo 11 conseguiu o primeiro pouso tripulado na Lua, em 20 de julho de 1969. O comandante da missão, Neil Armstrong (1930-2012), foi o primeiro homem a caminhar sobre a Lua: “Um grande salto para a Humanidade”.
A missão Apollo 11 conseguiu o primeiro pouso tripulado na Lua, em 20 de julho de 1969. O comandante da missão, Neil Armstrong (1930-2012), foi o primeiro homem a caminhar sobre a Lua: “Um grande salto para a Humanidade”.
Foto: NASA/Reprodução / Estadão

O Estadão Verifica encontrou no X (antigo Twitter) postagens com mais de 3 milhões de visualizações que duvidam da capacidade tecnológica para viagens à Lua e para a transmissão ao vivo das primeiras missões.

Mas vejamos os fatos. Em busca deles, o Estadão Verifica entrevistou o engenheiro espacial Lucas Fonseca, o doutor em astrofísica e cosmologia pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) Marcelo Lapola e o professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosférica da Universidade de São Paulo (USP) Ramachrisna Texeira.

Em um primeiro momento, Fonseca explica que o objetivo da Artemis não era fazer uma base na Lua, mas sim montar uma estação espacial ao redor do satélite. O que mudou após o anúncio da China de mandar astronautas para a Lua até 2030.

"A gente está vendo novamente uma disputa geopolítica muito clara, em que os Estados Unidos estão fazendo de tudo para montar uma base na Lua antes da China", disse.

Por que a Artemis II não pousou na Lua?

No dia 6, a missão Artemis II fez história ao levar seres humanos ao ponto mais distante da Terra já alcançado. Ao atingir cerca de 406 mil km do planeta, a equipe da Nasa superou o recorde anterior de cerca de 400 mil km, estabelecido pela missão Apollo 13 na década de 1970.

Mas por que os astronautas não pousaram na Lua, se já saberiam como fazê-lo desde 1969? A explicação, segundo Fonseca, é que, desta vez, a Nasa busca desenvolver uma tecnologia mais barata e economicamente sustentável.

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"Tudo que está se vendo agora é uma tentativa de redução brutal dos custos para viabilizar essa estadia permanente na Lua", explicou o engenheiro espacial.

Ele dá um exemplo prático: na Apollo 11, o foguete Saturno V, que levou a tripulação à Lua, era totalmente descartável. Nem mesmo a cápsula de comando, onde os astronautas voavam, era reaproveitada.

"O foguete era uma maravilha da engenharia espacial, construído com muito custo, mas era 100% jogado fora. Agora não, os veículos que serão inseridos nessa nova corrida espacial serão reaproveitados", explicou.

Por tratar-se de uma nova tecnologia, uma série de testes deverão ser feitos até que haja o pouso na Lua, o que está previsto para acontecer na missão Artemis IV, em 2028.

Quais as evidências de que o homem pisou na Lua?

As provas de que o homem realmente pisou na Lua nas missões Apollo não são poucas. Abaixo, alguma delas:

As rochas trazidas da Lua e o que elas mostram

Durante as seis excursões do programa Apollo que pousaram na Lua, de 1969 a 1972, os astronautas coletaram 2.196 amostras de rochas e solo. Lapola explica que diversos estudos feitos por pesquisadores de diferentes países, inclusive da antiga União Soviética, analisaram o material e constaram que, de fato, são rochas lunares.

Isso porque identificaram no material registros, que o astrofísico chama de "assinaturas", do impacto de radiações e ventos solares aos quais o planeta Terra não está submetido.

"Por não ter atmosfera, a Lua fica sujeita a um bombardeio de radiação enorme. Já a atmosfera da Terra protege o planeta dessa radiação", explicou Lapola. "Então, essas rochas lunares contêm as assinaturas da incidência dessas radiações. As rochas da Terra não têm isso".

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A partir dessas evidências de radiação, prossegue Lapola, é possível avaliar a idade das rochas. Segundo ele explica, as datações batem com a teoria científica de formação da Lua, que remonta à origem do sistema solar como um todo, há cerca de 4,2 bilhões de anos.

Os vestígios das missões Apollo

Em 2008, Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (Jaxa) divulgou em um comunicado oficial ter registrado uma imagem deixada pelo pouso da Apollo 15 na Lua. O comunicado destacou que "este é o primeiro relato mundial da detecção do 'halo' por meio de observações após o término do programa Apollo".

Lapola explica que o halo é uma área circular mais clara ao redor do local de pouso, causada pela alteração das propriedades do solo lunar durante a descida do módulo lunar.

"Não seria mais interessante para qualquer país desmascarar uma suposta farsa americana?", questionou o astrofísico. "'Olha, fomos lá ao local que dizem ter pousado e não encontramos nada'. Mas não é isso que acontece".

Mais tarde, após o lançamento da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter, da Nasa, em 2009, foram capturadas imagens que mostram equipamento do módulo lunar da Apollo 15 deixado na Lua.

A instalação de espelhos refletores

Ramachrisna Teixeira destaca um outro fato: os retrorefletores deixados na Lua pelas missões Apollo são utilizados até hoje por cientistas do mundo todo para medir com precisão a distância da Lua da Terra.

"A partir desses 'espelhos' deixados no solo da Lua, pesquisadores realizam ainda estudos dinâmicos de forma mais realística e com mais propriedade, mapeiam e compreendem melhor o campo gravitacional tão intenso entre a Terra e a Lua e testam previsões da Teoria da Relativade Geral de Einstein", explicou o professor.

O reconhecimento da União Soviética à época

Outro fator é o próprio reconhecimento de autoridades da antiga União Soviética após o primeiro pouso na Lua realizado em 1969 pela Apollo 11. Há registro, por exemplo, de um telegrama enviado pelo presidente soviético Nikolay V. Podgorny ao presidente americano Nixon dando "nossos parabéns e votos de sucesso aos pilotos espaciais".

Já na edição de 24 de julho de 1969, o Estadão registrou uma manifestação do cientista soviético Leonid Sedov, que saudou o feito dos americanos com as seguintes palavras: "Os primeiros passos do homem na superfície da Lua serão inscritos nos anais do século XX como um acontecimento maravilhoso".

Estadão
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