Ana Estela Haddad não comanda Farmácia Popular, ao contrário do que diz postagem
PUBLICAÇÃO DISTORCE TEOR DE REPORTAGEM SOBRE DESVIOS DE RECURSOS DO PROGRAMA
O que estão compartilhando: que o Programa Farmácia Popular, que está sob comando da mulher de Fernando Haddad, Ana Estela Haddad, estaria envolvido em tráfico internacional de drogas.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. A postagem analisada reproduz uma reportagem verdadeira, do Fantástico, mas acrescenta uma legenda com afirmações falsas. A reportagem fala sobre o uso criminoso de CNPJs de farmácias para desviar recursos do programa Farmácia Popular. O Fantástico não aponta a participação do Ministério da Saúde no esquema. Ana Estela Haddad não ocupa nenhum cargo no programa Farmácia Popular. Ela é secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério, que coordena a utilização de soluções digitais no Sistema Único de Saúde (SUS).
Saiba mais: Vídeos nas redes sociais compartilham uma reportagem do Fantástico, exibida no último domingo, 20, sobre uma investigação da Polícia Federal (PF) que revelou um grupo criminoso que usava CNPJs de farmácias para desviar milhões do programa Farmácia Popular, lavar dinheiro do tráfico e financiar a compra de cocaína na Bolívia e no Peru.
Os criminosos usavam CPFs e endereços de pessoas inocentes ou compravam CNPJs de laranjas. A reportagem não aponta nenhum envolvimento direto ou conhecimento do Ministério da Saúde na fraude, como insinua a postagem analisada aqui.
Não há evidências que líderes sul-americanos estejam envolvidos com narcotráfico
Além de trazer a afirmação falsa sobre Ana Estela, a postagem faz uma acusação sem fundamento contra líderes sul-americanos. "Lula se reuniu semana passada em Santiago/Chile com diversos presidentes sul-americanos envolvidos com o narcotráfico", diz a postagem.
Lula se reuniu no Chile, em 21 de julho, com os líderes da Colômbia, Espanha, Chile e Uruguai para discutir democracia e extremismo no ambiente digital. O encontro foi uma preparação para a próxima Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Não há registro de que o narcotráfico tenha sido discutido no evento. Também não há evidências de que os presidentes sul-americanos estejam envolvidos diretamente ou pessoalmente com o narcotráfico, como afirma o conteúdo aqui checado.
Agências de checagem desmentiram conteúdos que ligam Petro a cocaína
Além de ligar, sem provas, os líderes sul-americanos ao narcotráfico, a postagem afirma que o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, "é um conhecido usuário de cocaína". Mas também não há evidências disso.
Narrativas que tentam associar o presidente ao uso de drogas são muitas, mas nenhuma foi confirmada até então. O Colombia Check, grupo de fact-checking da Colômbia que é signatário da Rede Global de Verificadores de Fatos (IFCN), já desmentiu conteúdos virais que associam o presidente ao uso de entorpecentes.
Um dos exemplos mostrava que o presidente teria assumido, em um post no X, que é viciado em maconha, cocaína e alcoól, mas o texto é uma montagem (leia aqui). O que Petro publicou, na mesma data da postagem falsa no X, é que seu único vício é o café da manhã.
Outra checagem abordou uma apreensão de pacotes de drogas que tinham uma ilustração do rosto de Petro com o corpo do Coringa, personagem de ficção. O Colombia Check mostrou que a droga foi apreendida na Espanha e o Ministério do Interior espanhol não mencionou nenhuma ligação com o presidente colombiano (leia aqui).
Mais uma verificação, dessa vez da AFP, mostrou que é montagem uma imagem que mostra Gustavo Petro com o narcotraficante colombiano Pablo Escobar (leia aqui).
No início deste ano, o ex-chanceler Álvaro Leyva escreveu uma carta ao presidente e a publicou em suas redes sociais. O conteúdo afirmava que Petro é viciado em drogas e teria sumido por dois dias durante uma viagem oficial a Paris em 2023.
A carta foi publicada em meio a uma tensão entre Petro e ex-chanceler, que foi suspenso provisoriamente do seu cargo após a Procuradoria Geral da Colômbia identificar irregularidades em um processo de licitação para a produção de passaportes.