Candidato à Presidência do Peru vira réu às vésperas do 2º turno
Justiça acata denúncia contra o esquerdista Roberto Sánchez, que enfrentará a direitista Keiko Fujimori no domingo. Ele é acusado de irregularidades no financiamento de campanha entre 2018 e 2020.A dois dias do segundo turno das eleições presidenciais do Peru, a Justiça do país decidiu, nesta sexta-feira (05/06), tornar réu o candidato de esquerda Roberto Sánchez. Ele é acusado de irregularidades no financiamento de campanha entre 2018 e 2020.
Sanchéz enfrenta neste domingo a direitista Keiko Fujimori, filha do ex-presidente autocrata Alberto Fujimori. Sua defesa já anunciou que recorrerá da decisão.
Se sair vencedor, o deputado e ex-ministro de 57 anos ganharia imunidade por eventuais crimes, conforme prevê a Constituição.
"Determine-se a abertura de julgamento; em consequência, declara-se haver mérito para levar a julgamento oral Roberto Sánchez Palomino", leu o juiz Adolfo Farfán, após uma audiência virtual de dois dias.
O Ministério Público peruano, que pediu pena de cinco anos e quatro meses de prisão, aponta inconsistências nos relatórios financeiros do partido de Sánchez, Juntos pelo Peru, nas campanhas para as eleições regionais e municipais em que participou entre 2018 e 2020.
Sánchez é acusado de receber cerca de 280 mil soles (R$ 421 mil, pelo câmbio atual) em contribuições de integrantes de seu movimento político para atividades partidárias que não foram declaradas ao Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).
Sánchez qualificou acusação de "mentira"
Sánchez até agora não se pronunciou sobre a decisão judicial.
Na quinta-feira, ele participou virtualmente da audiência, pouco antes de seu comício de encerramento de campanha em Lima.
"Durante anos tentaram instaurar uma mentira para me desacreditar politicamente", escreveu em abril sobre o processo na rede social X.
O político afirma que o caso contra ele havia sido arquivado em 2025 por um tribunal, devido à falta de provas na acusação de suposto crime de fraude.
Nessas eleições marcadas pela instabilidade política e pelo aumento da criminalidade, o candidato de esquerda se apresenta como a voz dos pobres e das áreas rurais. Também acusa Fujimori de formar uma "máfia" política à qual atribui a instabilidade do país, que desde 2016 teve oito presidentes.
Quatro mandatários foram destituídos pelo Congresso - onde o partido de Fujimori, o Força Popular, tem grande influência.
Outros dois renunciaram antes de serem destituídos, um concluiu seu breve mandato de oito meses, e o atual interino entregará o poder em julho.
Na sexta-feira, Sánchez defendeu a busca por um consenso político para conter o que vê como uso indiscriminado pelo Congresso de sua prerrogativa de destituir presidentes sob a justificativa de "incapacidade moral permanente" - redação dada pela Constituição peruana, mas que ele qualificou como vaga em entrevista à agência de notícias AFP.
ra (AFP, EFE)
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