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Vinda de médicos estrangeiros não pode ser tida como tabu, diz ministro

Segundo Alexandre Padilha, a prática é comum em outros países

14 mai 2013 - 16h12
(atualizado às 16h55)
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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta terça-feira que a proposta do governo de atrair médicos estrangeiros para atuar no Brasil não pode ser vista como tabu, uma vez que a prática é comum em países como Inglaterra, Estados Unidos e Canadá, onde o índice de profissionais com formação no exterior chega a 37%, 25% e 22%, respectivamente. No Brasil, a taxa é de 1,7%.

Após participar de reunião da Frente Nacional de Prefeitos, Padilha destacou que a pasta está estudando estratégias adotadas por esses países para atrair profissionais de saúde vindos do exterior.

Entre outros países, o governo brasileiro está negociando a contratação de cerca de 6 mil médicos cubanos para atender à demanda por profissionais no País, especialmente em cidades menores. 

“Estamos nos organizando para receber um número maior de médicos aqui, em vista do déficit de profissionais de medicina no Brasil. Trata-se de uma cooperação que tem grande potencial promissora e a qual também atribuímos um valor estratégico”, afirmou o ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota.

O assunto foi um dos temas do encontro do chanceler brasileiro com o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez.

A presidente Dilma Rousseff já havia se posicionado a favor da contratação de estrangeiros – antes se falava na contratação de médicos portugueses e espanhóis.

“Cuba tem uma proficiência grande nessa área de medicina, farmacêuticos, biotecnologia, e o Brasil está examinando a possibilidade de acolher um número através de conversas que envolvem a Organização Pan Americana de Saúde, a OPAS, e está se pensando em algo em torno de 6 mil ou pouco mais”, afirmou Patriota.

Citando estratégias usadas em outros países para atrair profissionais de saúde, Padilha afirmou que, no Canadá, os médicos passam por um exame de validação do diploma antes de começarem a atuar. Outras localidades têm programas que prevêem autorização especial para que o profissional estrangeiro atue em áreas de maior carência.

Entre as hipóteses descartadas pelo ministério até o momento, de acordo com o ministro, estão a validação automática de diploma e a atração de médicos provenientes de países que têm menos profissionais por mil habitantes que o Brasil, como a Bolívia e o Paraguai.

Conselho condena vinda de médicos cubanos

O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou no último dia 6, mesmo dia em que foi anunciada a pretensão do governo em contratar médicos cubanos, uma nota repudiando o acordo. Além de questionar a qualidade dos médicos estrangeiros, a entidade afirmou que a ação demonstra uma intenção política e eleitoral do governo.

"O Conselho Federal de Medicina condena veemente qualquer iniciativa que proporcione a entrada irresponsável de médicos estrangeiros e de brasileiros com diplomas de medicina obtidos no exterior sem sua respectiva revalidação. Medidas neste sentido ferem a lei, configuram uma pseudoassistência com maiores riscos para a população e, por isso, além de temporários, são temerários por se caracterizarem como programas político-eleitorais", diz a nota.

Ainda de acordo com a nota, o CFM diz que, juntamente com os Conselhos Regionais de Medicina, "envidarão todos os esforços possíveis e necessários, inclusive as medidas jurídicas cabíveis, para assegurar o Estado Democrático de Direito no País, com base na dignidade humana".

Agência Brasil Agência Brasil
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