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Rio: bairros atingidos em Teresópolis não serão reocupados

12 fev 2011 - 12h08
(atualizado às 12h56)
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Luís Bulcão Pinheiro
Direto de Teresópolis

O silêncio nos bairros Campo Grande e Posse, os mais atingidos pelos deslizamentos em Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, ensurdece. Em alguns pontos, é possível ver restos de casas e carcaças de automóveis quase irreconhecíveis. No entanto, o ambiente mais parece um vale de pedras abarrotado por montanhas de lixo e entulho. Poucas pessoas, entre bombeiros e funcionários do Departamento de Recursos Minerais do Rio (DRM-RJ) trabalham no local. Alocados em abrigos e casas de parentes, os antigos moradores já não frequentam os escombros.

Enchente carregou casas, postes, carros e tudo o que encontrou pela frente em Teresópolis
Enchente carregou casas, postes, carros e tudo o que encontrou pela frente em Teresópolis
Foto: Luís Bulcão Pinheiro / Especial para Terra

No Campo Grande, a casa de Helena Ferreira, 47 anos, parece ter segurado a enxurrada. Na verdade, a construção de concreto e tijolos dividiu a corrente que descia ao meio, em uma bifurcação. Junto com seu marido, Moacir Machado Paulo, 50 anos, conseguiu sobreviver refugiada no segundo andar. Ouviam gritos de socorro em meio à escuridão. Ela não consegue contabilizar o número de parentes próximos e distantes e de vizinhos conhecidos que cresceram com ela no bairro e morreram naquela noite. Segundo Moacir, mais de 20 corpos foram encontrados na parte lateral da casa na manhã seguinte.

Juntos, os bairros de Posse e Campo Grande somam a maioria das 347 mortes ocorridas em Teresópolis. A Defesa Civil ainda analisa o que restou das construções. O Departamento de Recursos Minerais do Estado produziu um laudo condenando o solo local como área de risco. As casas que ali permaneceram em pé, como a de Helena, serão derrubadas. Já notificados, ela e Moacir apenas recolhiam aquilo que lhes restou, vasos de plantas, quadros e uns poucos móveis.

"Quero só tirar uma foto para poder provar que eu tinha uma casa de dois andares onde morei por 31 anos", pedia Helena.

Por hora, ambos serão acolhidos na casa de parentes. Depois não sabem. Já fizeram o registro para o aluguel social, a ajuda de R$ 500 mensais disponibilizada pelo governo para as vítimas de desastres naturais até que seja providenciada nova moradia.

No bairro de Posse, o caseiro Cláudio Acatto ergue uma cerca de arame em torno de uma residência. Ao contrário de Helena, o patrão de Cláudio pede para que não seja fotografado. A casa permaneceu quase inabalada, não fosse um veículo atravessado na varanda e parte do telhado caído. O empregador de Cláudio quer reconstruir e permanecer. Não será fácil. Um mês após a tragédia, o fornecimento de energia para a localidade não foi reestabelecido e nem será. É uma das medidas adotadas pela Defesa Civil para que os moradores da área condenada não retornem.

Um mês após a tragédia, Campo Grande e Posse parecem estar fadadas ao silêncio das pedras e da destruição da enxurrada até que a natureza se reassente no local.

Chuvas na região serrana

As fortes chuvas que atingiram os municípios da região serrana do Rio nos dias 11 e 12 de janeiro provocaram enchentes e inúmeros deslizamentos de terra. As cidades mais atingidas são Teresópolis, Nova Friburgo, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), choveu cerca de 300 mm em 24 horas na região.

Veja onde foram registradas as mortes

Fonte: Especial para Terra
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