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Psol: há indício de que marido de Yeda recebia doações

12 mai 2009 - 18h25
(atualizado em 12/5/2009 às 09h07)
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Fabiana Leal

Direto de Porto Alegre

O Psol divulgou nesta segunda-feira e-mails que o partido afirma que sustentam ainda mais os supostos indícios de caixa dois na campanha da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB). Segundo o partido, Carlos Crusius, marido da governadora, recebia dinheiro na campanha, ao contrário do que ele diz.

Gravações divulgadas pela revista Veja desta semana mostram conversas entre Marcelo Cavalcante, ex-assessor da governadora, e o empresário Lair Ferst. Cavalcante morreu em fevereiro em Brasília. Seu corpo foi encontrado no lago Paranoá e a polícia trabalha com a hipótese de suicídio. O ex-assessor era investigado como suspeito de participação no suposto esquema do Detran. O áudio indicaria o uso de caixa dois na campanha de Yeda para o governo do Estado. Segundo o ex-assessor, as empresas fabricantes de cigarro Alliance One e CTA Continental doaram, cada uma, R$ 200 mil em espécie, que foram entregues ao marido de Yeda, Carlos Crusius. Yeda e Crusius negam o recebimento.

Segundo documento apresentado pelo Psol, um interlocutor, que pediu para ter o nome preservado pelo partido, teria trocado e-mail com Alexandrino Alencar, na época, responsável pela área de Relações Institucionais da Braskem/Odebrecht. Em um dos e-mails, Alexandrino teria dito: "O pessoal da construtora (que segundo o Psol seria a Odebrecht) foi procurado pela Yeda e ontem tivemos alinhamento. Falei que vc (sic) tinha me procurado sobre o assunto, ela me disse que estava coordenando e falaria com vc (sic)".

No dia 11 de setembro, o destinatário não identificado manda um e-mail a Alexandrino perguntando como deveria encaminhar a "encomenda programada" para o dia 12 de setembro de 2009 em São Paulo. A pessoa adianta que Antônio Mucci a receberia. No e-mail, é indicado o telefone e o endereço eletrônico de Mucci. Ao Terra, Mucci disse que desconhece as empresas citadas (Braskem e Odrebecht). "Não lembro de relação com nenhuma dessas empresas", afirma ele, que tralhava na produtora que fez parte da campanha de Yeda.

No dia seguinte, o destinatário escreve para Alexandrino dizendo que "os paulistas (a produtora em que Mucci trabalhava) não seriam mais contratados". Ele questiona se seria possível entregar a encomenda em Porto Alegre até quinta-feira ou depositar em conta corrente. Alexandrino teria respondido do blackberry: "Deverá ser feito hoje com o marido, boa sorte". Segundo o Psol, "o marido" refere-se a Carlos Crusius.

"Daqui a pouco vai chegar mais gente dizendo que entregou dinheiro para o senhor Carlos Crusius, porque não foi só o Alexandrino. Nós estamos convencidos que não foi só o senhor Alexandrino", diz o presidente estadual do partido, Roberto Robaina.

Em outra troca de e-mails, o primeiro com data de 20 de novembro de 2006, após o segundo turno das eleições, que ocorreu no dia 29 de outubro, Juarez Molinari (PSDB), diretor da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul, teria pedido ao presidente da Federasul, José Paulo Dornelles Cairoli, interceder junto aos setores competentes e ligados à Federasul no sentido de conseguir um novo apoio financeiro à campanha da governadora Yeda.

"Considerando que estamos nos últimos dias para a devida prestação de contas, torna-se necessário conseguir mais adesões. Informo ao ilustre amigo que estarei em Porto Alegre, amanhã, 21 de novembro, oportunidade em que gostaria de conversar pessoalmente", diz.

Conforme os documentos divulgados pelo Psol, no dia 21 de novembro, Cairoli responde: "As empresas que mantive contato durante a campanha da governadora Yeda auxiliaram financeiramente de acordo com suas disponibilidades (Renner, Tumelero, Polo, Braskem, Puras, Ipiranga). Não consegui novas adesões ou complemento dos que participaram no 2º turno". Segundo o vereador Pedro Ruas (Psol), Renner e Tumelero não aparecem na prestação de contas do PSDB.

Em nota, o presidente da Federasul "esclarece que o e-mail respondido ao diretor da Federasul, Juarez Molinari, informava apenas que as empresas citadas não complementariam as contribuições à campanha, considerando que a eleição já estava encerrada. Cairoli informa ainda que desconhece os valores arrecadados e a forma como foram repassados ao comitê eleitoral".

O secretário-geral do PPS, Sérgio Camps de Moraes, um dos coordenadores da campanha de Yeda, afirma que é o Grupo Odebrecht um tradicional contribuidor de campanha no Rio Grande do Sul e no Brasil. "O grupo, que contribuiu no Rio Grande do Sul o fez através de uma das empresas, a Braskem. Ela contribuiu com a campanha R$ 200 mil) e está na declaração. Os depósitos foram quatro ou cinco dias depois dos e-mails."

Sobre as doações da Tumelero e da Renner, Moraes diz que falou nesta segunda-feira com o presidente da Federasul e ele argumentou que foi mal interpretado. "A Tumelero e Renner não contribuíram. Por isso, não estão na declaração", afirma Moraes.

A Tumelero informa que não participou financeiramente ou de qualquer outra forma da campanha de Yeda. Procuradas pelo Terra, a Renner e Alexandrino Alencar ainda não responderam.

Segundo o artigo XIX da resolução 22.250/2006, os candidatos e os comitês podem arrecadar recursos e contrair obrigações até o dia da eleição, no caso, 29 de outubro de 2006. Excepcionalmente, é permitido após esse prazo arrecadar dinheiro para quitar despesas já contraídas até a data da eleição. No ato da prestação, não é possível ter nenhuma despesa em aberto.

Em 2006, o calendário eleitoral previa o dia 28 de novembro como o último dia para os comitês financeiros encaminharem à Justiça Eleitoral as prestações de contas dos candidatos que concorreram no segundo turno (Lei nº 9.504/97, art. 29, IV).

Segundo a deputada Luciana Genro (Psol-RS), os elementos que já vieram á tona e foram confirmados ao longo dos meses são suficientes para o impeachment da governadora. "Não é possível que o Estado continue a ser governado por essa quadrilha que está instaurada no Palácio Piratini. Nós exigimos da Assembléia Legislativa que vote o pedido de impeachment do Psol que lá se encontra, porque os elementos estão claros, um confirmando o outro."

Luciana Genro e membros do PSol concedem coletiva em Porto Alegre
Luciana Genro e membros do PSol concedem coletiva em Porto Alegre
Foto: Fabiana Leal / Terra
Fonte: Terra
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