Valdemar nega desvio em emendas e diz que 'nem se acertasse na Mega-Sena' teria R$ 119 milhões
Segundo a PF, presidente do PL utilizou servidores da Câmara dos Deputados para direcionar recursos públicos
O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, negou neste sábado, 11, irregularidades envolvendo emendas parlamentares indicadas por ele. Na sexta-feira, 10, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões de bens do dirigente por suspeitas de desvio dos recursos públicos.
Segundo investigação da Polícia Federal, Valdemar utilizou servidores da Câmara dos Deputados para direcionar verbas herdadas do orçamento secreto — caso revelado pelo Estadão em maio de 2021.
"É tudo emenda séria. Todas estão sendo executadas. Tudo para municípios do PL, às vezes até para municípios de outros partidos", afirmou Valdemar neste sábado em entrevista à CNN.
O dirigente ainda defendeu ser normal presidentes partidários sugerirem destinação de emendas parlamentares, devido a pedidos de prefeitos do partido por ajuda para conseguir recursos. "Isso é normal em todo partido político, porque o presidente do partido tem mais força com os deputados."
Valdemar criticou o bloqueio de R$ 119 milhões ordenado por Dino. "Não tenho este dinheiro, nem perto, nem se eu acertasse duas vezes na Mega-Sena eu teria esse dinheiro."
O dirigente ainda afirmou esperar que os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e do Senado, Davi Alcolumbre (União), tomem medidas a respeito do caso.
"A política é feita dessa forma (com indicação de emendas). O que não pode é fazer emenda errada, para órgãos que não são sérios, alguma associação. Agora os municípios dependem de emenda séria", defendeu.
Entenda a suspeita
O direcionamento das emendas, segundo a PF, era operado por Mariângela Fialek, conhecida como "Tuca", ex-assessora do deputado federal e ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL).
Ela trabalhou no gabinete de Lira entre março de 2021 e o início de 2025, quando passou a atuar na liderança do Progressistas (PP) na Casa, partido do ex-presidente da Câmara.
Principal alvo da Operação Transparência, Mariângela Fialek teve seu aparelho celular analisado pela Polícia Federal. O órgão constatou um "arranjo decisório paralelo" para a destinação de verbas públicas, no qual Valdemar aparece como responsável pela definição e pelo remanejamento de emendas.
Segundo a corporação, planilhas eram formalizadas com indicações diretas de emendas atribuídas a Valdemar.
Veja defesa de Valdemar
Em nota divulgada pela defesa e compartilhada por Valdemar Costa Neto nas redes sociais, os advogados do presidente do PL criticaram a decisão de Dino e citaram o que chamaram de "indevida criminalização da atividade político-partidária".
Veja a íntegra da manifestação:
"A defesa de Valdemar Costa Neto recebe com surpresa a decisão do ministro Flávio Dino, que decretou medidas cautelares em seu desfavor. Com o devido respeito, a decisão parte de premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária.
Valdemar Costa Neto nega categoricamente a prática de qualquer crime. Não há qualquer prova, ou mesmo indício, de que tenha aderido conscientemente a um suposto esquema criminoso.
É natural e legítimo, no sistema democrático, que um presidente partidário dialogue com parlamentares, defenda prioridades programáticas, articule interesses nacionais e regionais e influencie politicamente sua bancada. Nada há de criminoso nisso.
A atuação político-partidária somente poderia ter relevância penal se acompanhada de indícios concretos de fraude, desvio funcional, ocultação deliberada ou apropriação indevida da execução da despesa pública. Esses elementos não estão minimamente demonstrados.
A defesa também destaca o fato de que a Procuradoria-Geral da República foi contrária à decretação das medidas cautelares.
Ainda assim, foram impostas restrições graves com base em suposições, sem qualquer demonstração individualizada de dolo, fraude, desvio de finalidade ou participação consciente em qualquer crime, além de estar claro na decisão de que não houve, com o devido respeito, qualquer vantagem pessoal para Valdemar Costa Neto.
É especialmente preocupante a premissa de que a indisponibilidade deve recair sobre o patrimônio integral do investigado "até que o inquérito aponte elementos mais seguros". A reconhecida incerteza investigativa não autoriza constrição patrimonial ampla, tampouco qualquer presunção de culpa."
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.