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Política

Soraya lembra aniversário de meme chamando candidato de 'padre de festa junina'

1 out 2023 - 10h54
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"Padre Kelson. Kelvin? Candidato padre...".Foi assim que a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) começou sua primeira pergunta ao então candidato Padre Kelmon (PTB) que virou meme nas redes sociais. Na última sexta-feira, 29, a senadora repostou em suas redes sociais uma lembrança para celebrar o aniversário de um ano desse debate que marcou não apenas a disputa eleitoral do ano, mas também a própria carreira da política, que ganhou grande destaque nas redes, recebendo ataques de apoiadores de Jair Bolsonaro e acenos positivos de eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O embate entre os dois ocorreu no dia 29 de setembro de de 2022, durante o último debate do primeiro turno das eleições - um dos mais esquentados da campanha eleitoral.

Na mesma pergunta, Soraya atacou a ligação do candidato com o então presidente Jair Bolsonaro (PL), que pleiteava a reeleição. Questionou quantas vidas poderiam ser salvas durante a pandemia, caso as vacinas tivessem sido compradas com antecedência e acusou Kelmon de ser "cabo eleitoral" de Bolsonaro. O padre interrompeu-a várias vezes, fazendo o apresentador, William Bonner, suspender a pergunta e dar um sermão; "Nós temos milhões de brasileiros assistindo o debate esperando que tenha, no mínimo, regras que sejam respeitadas".

Na ocasião, Soraya perguntou se Padre Kelmon não tinha medo de ir para o inferno por ter apoiado a política de combate à pandemia de Bolsonaro. Kelmon rebateu e disse que ex-senadora não sabe o que é "viver o Evangelho".

A senadora voltou a chamar Kelmon para o púlpito para uma pergunta temática sobre racismo e citou casos no governo Bolsonaro, como o do assessor Filipe Martins que foi denunciado por fazer um gesto de conotação racista no Senado - o mesmo assessor que apareceu recentemente na delação de Mauro Cid por, supostamente, ter entregue a "minuta do golpe" a Bolsonaro.

Kelmon respondeu Soraya dizendo, de forma geral, que todos têm de ser tratados de forma igual e voltou a atacar a esquerda. Foi então que a senadora chamou o candidato de "padre de Festa Junina", como referência à dúvida sobre ele ser ou não sacerdote. Como o Estadão mostrou, ele era considerado pároco interino pela Igreja Ortodoxa do Peru no Brasil, mas foi desligado em dezembro.

Em direito de resposta concedido posteriormente, Padre Kelmon rebateu: "Se alguém faltou com respeito foi a senhora por não saber o valor de um sacerdote, aquele homem que se dedica ao pobre e que traz Jesus Cristo".

Kelmon não foi o único alvo de Soraya, que também atacou Bolsonaro e chegou a perguntar se ele havia tomado a vacina contra Covid-19. "Tomou vacina quem quis", disse Bolsonaro, sem responder se foi imunizado. Já em um ataque indireto ao presidente, a senadora disse a Kelmon que ele "está parecendo seu candidato, que é nem nem, que nem estuda, nem trabalha".

Esse era o segundo debate de Kelmon, que havia entrado na disputa presidencial como substituto do presidente do PTB, Roberto Jefferson, que estava em prisão domiciliar. Ele já tinha chamado a atenção ao participar do debate promovido pelo Estadão, Rádio Eldorado e outros veículos de imprensa, com dobradinhas feitas com Bolsonaro para atacar a esquerda.

Oito meses depois do debate, Soraya e Kelmon conversaram por videoconferência. A chamada, intermediada pelo presidente interino do PTB, Kassyo Ramos, terminou sem reconciliação e com um novo desentendimento. Como mostrado pelo Estadão, Kelmon disse que Soraya havia pedido desculpas pelo uso de expressões como "padre de festa junina". mas a senadora negou.

Reconhecimento nas redes

O embate angariou para Soraya um destaque nas redes sociais. Levantamento feito pela Quaest sobre o debate presidencial da TV Globo aponta que frases ditas pela então candidata sobre Padre Kelmon ficaram entre os termos relacionados ao evento que mais tiveram destaque na internet.

As "nuvens de palavras" feitas pelo instituto mostram que expressões como "padre de festa junina", "candidato padre" e "medo de ir para o inferno" ficaram em alta nas redes durante a exibição do programa. O relatório considera menções no Twitter, Instagram, Facebook, sites e blogs.

O destaque nas redes não chegou a angariar muitos eleitores - Soraya ficou em quinto lugar, com pouco mais de 0,5% dos votos.

Último debate do primeiro turno

Apesar ter chamado atenção, Soraya não foi o único destaque no último debate no primeiro turno de 2022. O programa foi marcado por acusações, sucessivos pedidos de direitos de resposta e grandes embates, principalmente entre os candidatos que lideravam as pesquisas e que depois passaram para o segundo turno das eleições: Lula e Bolsonaro.

Além de discutirem entre si, os dois foram os alvos preferidos dos demais candidatos, que criticaram tanto o governo da época, liderado por Bolsonaro, quanto os governos petistas de Lula e Dilma.

Nem Lula, nem Bolsonaro

Soraya foi eleita senadora como aliada de Bolsonaro, na onda de direita de 2018, mas deixou a base do governo durante a pandemia. Ela chegou a se apresentar como a "senadora de Bolsonaro" em 2018, mas, alçada como candidata à Presidência pelo União Brasil em 22, fez duras críticas ao antigo companheiro. No entanto, também não apoiou Lula, mantendo-se crítica a ambas as candidaturas.

Atualmente, a senadora tem participação ativa na CPMI do 8 de Janeiro, com frequentes ataques ao governo Bolsonaro.

Estadão
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